Dr. Fabrício não está no Canadá

Médico recebeu aplausos na reunião ministerial

O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2012 | 03h07

Às 17h30 da última quinta-feira, já no final do expediente, 320 pessoas aguardavam há mais de 2 horas pelo atendimento em um dos 1.257 postos do INSS espalhados por todo o País. Naquele dia, os 181.096 cidadãos atendidos esperaram, em média, 23 minutos para um atendimento previamente agendado.

É o que mostrava o sistema de monitoramento do Ministério da Previdência. Atualizado a cada 15 minutos, ele informa quantas pessoas pegaram senha em cada posto, quanto tempo cada um levou para ser atendido, quem os atendeu.

Na sede do INSS em Brasília, cinco equipes monitoram pelo computador como está o atendimento em cinco regionais: uma só para São Paulo, outra para Minas, Rio e Espírito Santo, outra para a região Sul, uma para o Nordeste e outra para o Norte e Centro-Oeste. Toda vez que o atendimento demora mais que duas horas, o dado aparece em vermelho e informa a causa da demora.

A demonstração desse sistema durante a reunião ministerial de segunda-feira passada transformou o médico Fabrício Calmon Prezotti em celebridade no governo. Exibindo à presidente Dilma o nível de informação dada pelo sistema, o secretário executivo da pasta, Carlos Eduardo Gabas, puxou ao acaso os dados da regional de Vitória (ES). Ali, constatou-se que havia uma pessoa esperando atendimento há mais de cinco horas. O responsável era o dr. Fabrício.

"Vai ver, ele não está trabalhando", comentou Dilma, já meio irritada. Mas o próprio sistema informou que ele era o único perito em serviço naquele posto e que já havia atendido 24 pessoas no dia. De suposto preguiçoso, o médico passou a funcionário dedicado, com direito a aplausos.

"Só tem ele atendendo hoje porque os colegas foram todos para o Canadá", improvisou Gabas. "Pois eu quero saber quem são esses que foram para o Canadá", ordenou Dilma, rindo. A piada foi inspirada num dos hits da internet do momento. / L.A.

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