Dossiê Petrobrás abre 'guerra' do PSDB

Pré-candidato da oposição ao Planalto comanda críticas à gestão da estatal; vice-presidente do partido diz que é preciso 'acabar com o PT'

JOÃO DOMINGOS, DENISE MADUEÑO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h41

O PSDB anunciou ontem o que chama de "guerra para salvar o País". A investida foi inaugurada com o seminário Recuperar a Petrobrás é nosso desafio, no qual a sigla de oposição apresentou uma espécie de dossiê da estatal na gestão do PT. O texto cita 11 itens que os tucanos consideram ter levado a empresa ao declínio, entre eles o aparelhamento de cargos, o aumento de dívidas e a queda das ações. Agora, o partido promete documentos semelhantes sobre outras áreas do governo.

"Ou acabamos com esse PT, com esse domínio autoritário, ou eles acabam com o Brasil", disse o vice-presidente do PSDB, ex-deputado e ex-governador de São Paulo Alberto Goldman. "É assim que eu gosto, de ver um partido em pé de guerra. Quando é preciso fazer guerra, vamos fazer guerra para defender o País", afirmou, após citar o discurso da presidente Dilma Rousseff feito há cerca de dez dias segundo o qual pode-se "fazer o diabo" numa eleição.

Durante o seminário, em Brasília, militantes do PSDB Jovem ocuparam a sala da Comissão do Orçamento da Câmara com máscaras de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as mãos pintadas de preto, imitando gestos passados dos dois petistas em locais de extração de petróleo, quando anunciaram que o Brasil era autossuficiente na produção de combustíveis, algo que os tucanos chamam, no texto, de "mito".

Pré-candidato tucano ao Planalto, o senador Aécio Neves (MG) ouviu gritos de "futuro presidente da República" ao iniciar sua participação e o coro de "Brasil pra frente, Aécio presidente", quando encerrou o discurso. Aécio admitiu que o ato em "defesa da Petrobrás" faz parte da campanha presidencial antecipada. Disse que outros se repetirão para tratar de questões como o "BNDES e seu orçamento paralelo", a falta de segurança no País, o pacto federativo e o "modelo de privatização" do governo petista, chamado de regime de concessões. "Quem começou a campanha foi a presidente Dilma", disse Aécio.

O senador afirmou que a falta de planejamento e o aparelhamento político da Petrobrás trouxeram prejuízos à empresa e ao País de cerca de R$ 15 bilhões por ano, além de derrubá-la da liderança de maior empresa da América Latina. Disse que a gestão atual da Petrobrás "é temerária" e defendeu ser importante "contrapor o Brasil real ao Brasil virtual, da propaganda, desenvolvido pelo PT". Para Aécio, é missão da oposição "demonstrar que, no futuro, a meritocracia vai tomar o lugar do aparelhamento, o planejamento vai superar o improviso".

Aécio acusou ainda a direção da Petrobrás de ter comprado uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, por um preço superfaturado, que superou a casa de R$ 1 bilhão. Segundo ele, os que venderam a planta para a Petrobrás a haviam comprado por R$ 45 milhões. Ele pediu que o Ministério Público investigue a operação. Disse ainda que o PSDB vai trabalhar para acabar com a pobreza. "Que a pobreza seja superada com ações e não por decreto."

O tucano sugeriu ainda a "reestatização da Petrobrás". "O que queremos é reestatizar a Petrobrás, que foi partidarizada excessivamente pelo PT", afirmou.

O PSDB aproveitou para apresentar uma emenda constitucional proibindo que a empresa estatal seja vendida. A missão, uma espécie de vacina contra crÍticas dos adversários, foi entregue ao deputado Otávio Leite (RJ).

Em dezembro de 2000, no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, dirigentes da Petrobrás anunciaram a mudança de nome da empresa sob o argumento de que ela precisava se internacionalizar: a estatal passaria a se chamar Petrobrax. À época, a Federação Única dos Petroleiros afirmou se tratar de um passo para privatização. Sob críticas, FHC resolveu vetar a Petrobrax. O episódio, porém, virou arma eleitoral do PT, que costuma apontá-lo como "prova" de que a estatal seria vendida.

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