Dossiê apócrifo é distribuído pela manhã nos gabinetes

Material tinha reportagens com acusações contra Alves, que se irrita com estratégia de adversários na disputa pelo cargo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2013 | 02h05

Em seu discurso de posse, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) atribuiu ao "fogo amigo" as denúncias que surgiram contra ele nas semanas anteriores à eleição da Mesa Diretora.

Os deputados encontraram ontem de manhã em seus gabinetes uma publicação com cópias de reportagens de supostas irregularidades cometidas pelo deputado no exercício do mandato e até as suspeitas de enriquecimento ilícito. Ele classificou a publicação apócrifa de "pequena", "mesquinha" e de um "comportamento sem cara, sem rosto, clandestino e subterrâneo".

O peemedebista disse ainda que "as labaredas" desse fogo amigo não resistem às "chuvas de verão". Já eleito, disse que não tinha dado importância à publicação. "A melhor resposta foi minha eleição no primeiro turno", afirmou. Ainda assim, Alves passou por constrangimentos no plenário ao virar alvo dos seus três adversários na disputa pelo cargo - a peemedebista Rose de Freitas (ES), Júlio Delgado (PSB-MG) e Chico Alencar (PSOL-RJ).

O deputado do PSOL, que recebeu apenas 11 votos, foi o mais duro em seu pronunciamento. Criticou a hegemonia do PMDB no Legislativo e afirmou que o domínio do partido nas duas Casas dificulta o exercício da função fiscalizadora do Congresso. "É um perigo para a democracia brasileira", disse. Segundo ele, tal situação fará com que o "oficialismo predomine" e o Legislativo renuncie à fiscalização.

Alencar fez também críticas a Alves ao defender o projeto em tramitação na Casa que proíbe parlamentares de destinar recursos de emendas para empresas de seus assessores. Uma das denúncias que pesam contra Alves é por suposto favorecimento a empresa de engenharia de seu assessor. "As emendas parlamentares são usadas para o clientelismo, fisiologismo ou na perspectiva do mandato futuro", disse.

Alencar reconheceu que não tinha chance de vitória, mas afirmou que a contabilidade dos votos não era o mais importante. "O que mais importa é o que queremos para o Parlamento. E o Parlamento está mal."

Delgado, em pronunciamento antes de iniciada a votação, disse que "chegou a hora da mudança", de "vencer as práticas políticas que envergonham o Parlamento e vencer a politicagem na Casa Legislativa". O deputado do PSB lembrou que a ausência de disputa não permite o debate, a essência do Parlamento.

Rose de Freitas evitou críticas ao correligionário e acusou o Executivo de "não respeitar o povo brasileiro" por não defender um Parlamento forte. Ela defendeu a proposta de um orçamento impositivo. "Não é metáfora de campanha", afirmou.

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