Sergio Castro|Estadão
Sergio Castro|Estadão

Doria tenta garantir ‘fatia’ tucana e Marta, voto petista

Na última semana antes da votação no primeiro turno, principais candidatos afinam táticas; Russomanno, que perdeu a liderança isolada, quer evitar desfecho de 2012

Pedro Venceslau, Ricardo Galhardo e Valmar Huspel Filho, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2016 | 05h00

Na semana final do primeiro turno da eleição em São Paulo, a senadora Marta Suplicy, candidata do PMDB, evitará ataques diretos ao PT para tentar atrair o voto útil de simpatizantes da legenda, enquanto João Doria, do PSDB, pretende reforçar o laço com tucanos buscando atingir o “teto” da sigla na capital. 

Em 2012, o hoje chanceler José Serra (PSDB) terminou o primeiro turno em primeiro lugar com 30,7% dos votos, mas foi derrotado no segundo por Fernando Haddad (PT). 

Marta e Doria devem seguir atacando o deputado Celso Russomanno (PRB) nas inserções de rádio, redes sociais e, eventualmente, na TV. A avaliação reservada é de que o candidato do PRB entrou em processo de “derretimento”, mas há pouco tempo até a votação em primeiro turno, no dia 2.

Fiéis. A campanha de Russomanno deve adotar uma postura defensiva para tentar evitar a repetição do desempenho de 2012 – quando ele liderou praticamente toda a disputa no primeiro turno, mas, no final, ficou fora da etapa decisiva. O deputado do PRB pretende reforçar a mobilização de rua e se aproximar de líderes religiosos e vereadores. Durante a campanha, Russomanno procurou evitar a associação do seu partido com a Igreja Universal do Reino de Deus. 

A tática de Haddad é focar os ataques em Marta enquanto tenta colar a campanha no ex-presidente Luiz Inácio da Silva, no PT e no “Fora, Temer” para evitar que um movimento pelo voto útil ganhe corpo. 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira, 22, registrou crescimento de Doria, que subiu 9 pontos e chegou aos 25%. Ele está agora na liderança e em empate técnico com Celso Russomanno (22%) e Marta Suplicy (20%). 

Tucanos. No primeiro movimento de sua recente estratégia, Doria participou nesta sexta-feira, 4, de um ato público ao lado do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes (PSDB), e representantes da Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo. Moraes foi o primeiro ministro do presidente Michel Temer a participar de uma atividade de campanha em São Paulo. O ministro das Cidades, Bruno Araújo, também se ofereceu para ajudar Doria. Já Serra mantém distância regulamentar da campanha na capital. 

Antes resistentes ao candidato do PSDB, tucanos históricos de São Paulo, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os senadores José Aníbal e Aloysio Nunes, gravaram mensagens de apoio a Doria. Aníbal chegou a acionar o Ministério Público Eleitoral contra Doria. O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), também declarou apoio. Todos os depoimentos serão exibidos na TV em um único dia. 

Superterça. Na próxima terça-feira, 27, está marcado um ato final de campanha em um clube na Avenida Paulista que pretende reunir tucanos e lideranças dos 13 partidos que compõem a coligação de Doria. 

No mesmo dia, a campanha de Haddad realizará um ato com artistas, intelectuais na Casa de Portugal com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes e governadores. A presidente cassada Dilma Rousseff foi convidada, mas não confirmou presença.

O prefeito também convidou Lula para gravar ao seu lado no horário eleitoral da TV. Até agora, os dois ainda não apareceram juntos nos comerciais. Haddad e o ex-presidente também caminharão juntos amanhã em São Mateus, na zona leste da cidade. 

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