Epitacio Pessoa/Estadão
Epitacio Pessoa/Estadão

Doria quebra hegemonia do trio tucano Covas, Serra e Alckmin

Ex-prefeito interrompe série de sete eleições com os três ex-governadores; em convenção, candidato ao governo poupa França e critica Skaf e PT

Pedro Venceslau, Fabio Leite, Ana Neira e Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2018 | 05h00

A confirmação do ex-prefeito paulistano João Doria como candidato do PSDB ao governo de São Paulo nas eleições 2018 – oficializada neste sábado, 28, na convenção estadual do partido – interrompe uma sequência de sete eleições consecutivas nas quais a candidatura tucana ao Palácio dos Bandeirantes ficou restrita a três líderes históricos da sigla. Pela primeira vez em 30 anos, o eleitor paulista não poderá votar em Geraldo Alckmin, José Serra ou Mário Covas para governador.

Ao lado de Alckmin na convenção, Doria poupou de críticas o atual governador de São Paulo e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), reservando-as a outros concorrentes ao governo, como Paulo Skaf (MDB). “Quero deixar um recadinho ao Skaf: não há estafa com o PSDB no Estado”, disse, respondendo a críticas do emedebista à gestão tucana em São Paulo. Em seguida, acusou as gestões petistas no governo federal pela crise econômica. “Quando fazem algo, é para roubar.”

Doria chegara à convenção no Expo Barra Funda às 11h30 – o ex-governador chegou às 14h. Foi a segunda vez que Alckmin, o pré-candidato tucano à Presidência, esteve ao lado de Doria em sua pré-campanha. A relação entre o ex-prefeito e o ex-governador havia esfriado, em meio às pretensões presidenciais alimentadas por Doria.

Assim como já havia ocorrido na eleição municipal há dois anos, a escolha de Doria dividiu o partido. O próprio Alckmin, que apadrinhou a campanha do empresário em 2016, chegou a articular uma candidatura única ao governo com o PSDB sendo vice na chapa de Márcio França.

Doria reverteu o cenário com o apoio de deputados e dirigentes da legenda, que veem o ex-prefeito como o nome mais forte da sigla para garantir a hegemonia do partido no Estado. O ex-prefeito tem insistido na tese de que apenas um tucano pode continuar o legado de Alckmin. A tática consiste em explorar o programa mais à esquerda do partido de França e tentar vincular o governador ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato.

O coordenador do programa de governo de Alckmin, Luiz Felipe d’Avila, negou que haja desconforto entre os tucanos e o governador do PSB. “Não existe saia-justa nem com o Alckmin nem com o Doria. O França é uma pessoa que entende o jogo político”, disse ao Estado.

As críticas à coligação entre PSDB e Centrão – formado por PR, PRB, PP, DEM e Solidariedade – também foram citadas por Doria. “Não conseguiram construir uma aliança como a nossa em São Paulo nem no Brasil. Nada contra alianças, mas quem advoga contra elas é porque não conseguiu fazer.” Eram 15h quando ele foi anunciado como o candidato tucano ao governo.

Ruptura na tradição tucana 

A tradição tucana nas eleições estaduais só pôde ser quebrada depois que Serra desistiu de disputar o pleito ao governo pela segunda vez, em janeiro. A saída do senador do páreo e a carência de quadros competitivos abriram caminho para Doria tentar repetir o feito que obteve dois anos atrás na capital, quando se elegeu prefeito após acabar com um rodízio de candidaturas municipais entre Serra e Alckmin desde 1996. No período, foram cinco eleições e só uma vitória – Serra, em 2004.

Nenhum partido fez renovação. O Doria foi uma escolha da nossa militância. É o único candidato que tem chance de ganhar essa eleição com o pé nas costas”, disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do diretório estadual do PSDB. 

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