ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Doria mobiliza tucanos e tenta isolar dissidência pró-Leite

Grupo do governador aposta na Federação com Cidadania para mudar correlação de forças na executiva do PSDB

Camila Turtelli/Brasília e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2022 | 10h52
Atualizado 29 de março de 2022 | 20h55

Após o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciar que vai permanecer no PSDB e renunciar ao cargo, o grupo de João Doria atua para isolar os dissidentes do partido que trabalham contra a pré-candidatura presidencial do governador paulista. 

A estratégia tem três eixos. O primeiro é carimbar o grupo, do qual fazem parte o deputado Aécio Neves (MG), o ex-senador José Aníbal (SP), o ex-ministro Pimenta da Veiga (MG) e o senador Tasso Jereissati (CE), como "golpista". O próprio Doria usou a palavra "golpe" ao se referir a eventuais manobras para revogar as prévias, que foram vencidas por ele no ano passado. 

Os adversários do governador paulista no PSDB dizem que a convenção nacional, em julho, é a instância máxima do partido e, portanto, teria o poder de derrubar a candidatura ou substituí-la por outra mais competitiva. "Só se revoga a democracia com um ato autoritário, de força", disse Doria ontem ao Estadão

O segundo eixo, segundo aliados do governador, é mobilizar tucanos históricos e lideranças regionais para defenderem publicamente o resultado das prévias, tentando, assim, isolar o grupo dissidente. O tuíte do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgado ontem, no qual ele disse que o resultado das prévias deve ser respeitado, foi comemorado nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes. 

A expectativa entre os aliados de Doria era que o senador José Serra se manifeste nos próximos dias. Na noite de terça-feira, 29, o tucano disse que está de acordo com FHC. "Há que se respeitar o resultado das nossas urnas".

O terceiro pilar da estratégia para blindar a pré-candidatura do governador, que deixa o cargo na quinta-feira, 31, é tentar mudar a correlação de forças na burocracia partidária do PSDB, que hoje é vista como hostil a Doria. 

Após a formação da federação com o Cidadania, o colegiado vai ter uma executiva enxuta, com 19 membros, sendo 13 do PSDB e 6 do Cidadania. O presidente da federação será do PSDB, sendo o vice do Cidadania e o tesoureiro também tucano. Cada partido, porém, vai contar com um presidente próprio, mas que terá pouco poder de manobra. 

A atual executiva do PSDB, que tem 32 membros, já impôs derrotas a Doria. Frustrou, por exemplo, a tentativa de expulsar Aécio da sigla e impôs regras desfavoráveis ao governador paulista nas prévias. Em caráter reservado, aliados de Doria não escondem que não confiam no presidente do PSDB, Bruno Araújo, e cobram dele uma manifestação clara em defesa do resultado das prévias.

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