Fotos: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO e NILTON FUKUDA/ESTADÃO
Os candidatos ao governo paulista João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) Fotos: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO e NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Eleições para governador: Doria e Skaf reeditam propostas em SP

Candidatos de 2018 do PSDB e MDB apresentam modelos de governo semelhantes aos utilizados por eles na Prefeitura de São Paulo e na Fiesp/Sesi

Glauco de Pierri e Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 05h00

Empatados tecnicamente nas mais recentes pesquisas de intenção de voto na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes nas eleições 2018 , João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB) reeditaram nas propostas protocoladas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) programas e modelos de gestão que faziam parte das administrações, respectivamente, na Prefeitura de São Paulo e na Federação das Indústrias do Estado (Fiesp)

Já o plano de governo do candidato do PT, Luiz Marinho, registrado no TRE, contém apenas duas palavras: “Lula livre”.

Skaf, Doria e Marinho – além de Márcio França (PSB), Lisete Arelaro (PSOL), Marcelo Cândido (PDT) e Rodrigo Tavares (PRTB) – participam nesta quinta-feira, 16, do primeiro debate televisionado para das eleições para governador de São Paulo, na TV Bandeirantes, às 22 horas. Nesta semana, os organizadores do debate foram obrigados a incluir Tavares e Cândido na bancada, o que levou a emissora a rever o formato.

Em sua proposta, Doria cita os programas “Corujão da Saúde”, “Remédio Rápido” e “Redenção”, além das carreatas do “Doutor Saúde”, implementados em sua gestão na capital, como referências a outros municípios do Estado para a área da saúde. A ideia do ex-prefeito é dar “apoio à atenção básica a partir do fornecimento de orientações de como reproduzir” esses programas.

Assim como na corrida pela Prefeitura, há dois anos, ele também fala agora em modernizar a gestão, com utilização de tecnologia para inovação, e promete eficiência na alocação dos recursos públicos. Cita ainda a ideia de fazer parcerias com o setor privado, assim como fez quando disputou a Prefeitura.

Em seu plano, Skaf, presidente licenciado da Fiesp, diz que espera dar aos alunos da rede estadual de ensino a “excelência em educação que os alunos do Sesi (Serviço Social da Indústria) têm”. Ele ainda fala em utilizar tecnologia para a gestão da saúde e da segurança, com a implementação do prontuário eletrônico, a criação de um Sistema Integrado de Saúde, integrar os sistemas de informação das polícias e criar um Sistema de Controle de Desempenho policial. No plano, o emedebista ainda fala em dar início à construção de novas linhas do Metrô e ampliar os corredores de ônibus em regiões sem rede metroferroviária.

‘Deboche’. Ao registrar sua candidatura nesta quarta-feira, 15, o candidato do PT, Luiz Marinho, entregou seu plano de governo contendo apenas “Lula livre” junto com os demais papéis para confirmar a presença do ex-prefeito de São Bernardo do Campo nas eleições 2018. Um “erro”, de acordo com a equipe do candidato petista.

Para o cientista político Marco Antônio Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas, o envio do documento soa como deboche. “Ele pode falar ‘Lula livre’ quando e como quiser. Mas enviar este documento para o TRE mostra pouco respeito pelo instrumento. É um deboche. Isso não é um programa de governo. Quem perde com isso é o eleitor.”/ COLABORARAM MARCELO GODOY e PEDRO VENCESLAU

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ANÁLISE: Candidatos omitem pontos polêmicos na segurança

Propostas dos postulantes ao governo paulista vão da aposta da linha dura de Paulo Skaf (MDB) ao elogio das gestões tucanas de João Doria (PSDB)

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 05h00

Integração das polícias, investimento em inteligência e em tecnologia e valorização dos policiais. Propostas genéricas – sem explicar como serão feitas – e repetidas eleição após eleição dominam a segurança nos programas dos principais candidatos ao governo.

Há diferenças entre os candidatos. Da aposta da linha dura de Paulo Skaf (MDB) ao elogio das gestões tucanas de João Doria (PSDB). Há promessas que falam ao bolso dos policiais, como pagar em dinheiro integralmente as licenças-prêmio, feita pelo governador Márcio França (PSB) – os policiais só podem receber em dinheiro 30 dos 90 dias da licença. E omissões sobre polêmicas: França não cita o plano de retirar a Polícia Civil da Secretaria da Segurança e Doria não fala da criação de 22 batalhões da Rota.

Skaf é o único que tem um capítulo para os presídios num Estado onde o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente em 137 penitenciárias. Ele quer limitar o contato físico entre detentos e visitas, combater os pancadões e criar uma agência contra a lavagem de dinheiro. Por fim, Doria defende a segurança dos governos tucanos, que apostaram na integração das polícias. E quer parcerias público-privadas para os presídios. Com todos os problemas, os três ainda têm um programa. Pior é Luiz Marinho (PT), que não apresentou proposta alguma.

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ANÁLISE: Na educação, só lista de desejos já conhecidos

Aos programas dos principais candidatos ao governo do Estado de São Paulo falta o 'como'

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 05h00

Os programas de educação dos principais candidatos ao governo do Estado são como listas de desejos. E desejos unânimes, em São Paulo ou em qualquer parte do planeta. Afinal, quem se oporia a uma “educação de qualidade”, à “valorização da carreira do professor” ou ainda a “manter bem as escolas, com infraestrutura física e tecnológica adequadas”? Essas são apenas algumas das (ditas) propostas para área.

Falta o “como”. Como garantir que 40% as crianças paulistas não cheguem aos 8 anos sem saber ler? Como atrair os melhores alunos para a profissão de professor quando o salário é de R$ 2.500 e ainda é preciso lidar com adolescentes desinteressados por uma escola, de fato, desinteressante? Como arrumar dinheiro, em plena crise econômica, para equipar salas de aula? 

Muitas das prioridades para a educação, depois de anos de pesquisa, já estão estabelecidas. A função de quem pretende transformar a realidade de meninos e meninas não é apenas repeti-las. É encontrar – ou ao menos supor – o caminho para a mudança.

A impressão que dá é que nenhum dos programas foi escrito com a ajuda de especialistas da área. Não se discutiu propostas, não se analisou experiências bem sucedidas. A educação, como sempre, não parece ser prioridade. 

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ANÁLISE: Propostas acertam ao focar integração, mas são genéricas

Candidatos ao governo paulista que divulgaram propostas sobre mobilidade se mostram preocupados em facilitar o deslocamento entre centros urbanos

Mariana Barros*, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2018 | 05h00

De todas as dificuldades que o Estado tem para enfrentar, a integração entre municípios seja talvez uma das mais estratégicas e complexas para impulsionar o desenvolvimento regional, o que coloca a mobilidade como um ponto importante.

Os candidatos que divulgaram propostas sobre o tema se mostram preocupados em facilitar o deslocamento entre centros urbanos, considerando que boa parte dos paulistas mora em uma cidade, mas estuda ou trabalha em outra, cruzando diariamente limites municipais. Nesse contexto, é importante debater a possibilidade de unificar tarifas e de criar um Bilhete Único padronizado para atender a todo o Estado ou, pelo menos, aos municípios agrupados.

O transporte por aplicativo, que hoje emprega muitas pessoas e tem se expandido pelo interior, também merece atenção. Seria possível permitir pagamentos por essa modalidade usando Bilhete Único em todo o Estado? O transporte sobre trilhos tem na adoção do modelo de PPP uma saída para acelerar o andamento das obras e garantir a operação.

Ciclistas e pedestres também precisam ser contemplados. Mas os três candidatos falam em integração de maneira genérica.

*ESPECIALISTA EM MOBILIDADE URBANA

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