Helvio Romero|Estadão
Helvio Romero|Estadão

Doria e Russomanno no 2º turno é 'pesadelo para eleitor de esquerda', diz Matarazzo

Para candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Marta, a queda da peemedebista nas pesquisas de intenção de voto é resultado dos ataques que a campanha vem sofrendo desde o início do horário eleitoral

Elizabeth Lopes, Daniel Weterman e Tonia Machado, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2016 | 15h13

O vereador Andrea Matarazzo (PSD), candidato a vice-prefeito de São Paulo na chapa de Marta Suplicy (PMDB), disse nesta quarta-feira, 28, em entrevista à Rádio Estadão que um segundo turno entre os candidatos João Doria (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) seria um "pesadelo para o eleitor de esquerda". A última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo de intenção de voto mostra os candidatos em 1º e 2º lugar, com 28% e 24% respectivamente, seguidos de Marta, em 3º, com 15%. "O pessoal tem medo do pesadelo", avaliou o vereador, que também foi entrevistado pela TV Estadão nesta terça.

Para Matarazzo, a queda de Marta nas pesquisas é resultado dos ataques que a campanha vem sofrendo desde o início do horário eleitoral.  "O PT (de Fernando Haddad) despendeu um terço de tempo atacando a Marta", disse. E falou que a estratégia nessa reta final de campanha do primeiro turno é mostrar que a sua chapa é a mais experiente para governar São Paulo.

Indagado se a vinculação de Marta ao governo do presidente Michel Temer e com as medidas amargas em discussão pela gestão peemedebista no bojo das reformas trabalhistas e previdenciária está gerando reflexos negativos na campanha, ele disse não acreditar. "O eleitor está olhando mais São Paulo, apesar de estar desiludido com a política". E reiterou que é preciso ficar atento a quem se vende como "o novo", em uma referência a Doria, que o derrotou nas prévias de seu ex-partido, o PSDB.

Ao comentar o fato de o tucano se apresentar como um gestor, e não como um político, Matarazzo afirmou que gestão pública e privada são muito diferentes. "Essa coisa de ser gestor... o Pitta (Celso Pitta, ex-prefeito) era um ótimo gestor, e era mesmo, um diretor financeiro de altíssima qualidade. A gestão pública e privada são coisas muito diferentes", disse, citando também casos como odo  ex-presidente e atual senador Fernando Collor (PTC-AL) e da ex-presidente Dilma Rousseff, que sofreram processos de impeachment.

Segundo ele, diferentemente da gestão privada, em que o objetivo é o lucro, a administração pública visa qualidade com custo baixo. "Avião e caminhão, ambos são transporte, mas pilotar um não significa que você consiga dirigir o outro", comparou. 

Sem citar especificamente Doria, Matarazzo criticou alguém que "quer começar a carreira pública como prefeito". "Não dá para ninguém vir e aprender gestão pública no cargo. O cargo de prefeito é cargo de consagração de uma carreira pública, jamais o cargo de início de uma carreira pública", declarou. Matarazzo reforçou, que 

Ao dizer que não se arrepende de ter se desligado do PSDB para disputar as eleições, Matarazzo afirmou que mantém os mesmos ideais de sua história política e criticou sua antiga legenda ter escolhido Doria para a disputa. "O Ministério Público está falando em abuso de poder econômico e métodos que sempre criticamos", afirmou, em referência à decisão do Ministério Público Eleitoral que pediu na segunda-feira, 26, a cassação da chapa de Doria. O candidato disse ainda que sua amizade com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não é afetada pelo fato de ele ter declarado voto a João Doria no programa eleitoral do tucano.

Matarazzo disse também que já foi adversário político de Marta, mas isso não invalida a coligação dos dois hoje, alegando que as pessoas evoluem e amadurecem. "São Paulo tem que sair dessa batalha entre vermelho e azul (PT e PSDB)."

Comentando a acusação de Russomanno de que a campanha de Marta teria cooptado ex-funcionários do adversário para acusá-lo de não pagar direitos trabalhistas, o vereador negou. "Ninguém precisa comprar, a gente sabe, o Celso também sabe. Está cheio de gente oferecendo denúncias de todos os tipos, essas coisas aparecem", afirmou. "Eu te confesso que eu nem vi (o depoimentos dos ex-funcionários)."

A TV Estadão e a Rádio Estadão entrevistam esta semana os candidatos a vice-prefeito que pleiteiam a Prefeitura de São Paulo. 

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