Doria e Haddad terão maior tempo de TV

Doria e Haddad terão maior tempo de TV

Mais da metade das inserções será de PSDB e PT, únicas siglas já com alianças em SP

Pedro Venceslau Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2016 | 05h00

Faltando pouco mais de um mês para o início da campanha eleitoral, o prefeito Fernando Haddad (PT) e o empresário João Doria (PSDB) aparecem como donos de mais da metade do tempo de TV reservado à propaganda dos candidatos que disputarão a Prefeitura de São Paulo.

Com a retaguarda de duas máquinas governamentais, a Prefeitura e o governo estadual, o tucano e o petista já reuniram em seus palanques o apoio de 13 legendas que, juntas, contam com mais de cinco minutos em cada um dos dois blocos de 10 minutos na TV aberta e rádio.

A propaganda começa a ser transmitida em 26 de agosto. Aliado do governador Geraldo Alckmin, Doria já conta com o apoio declarado de PSB, PV, PPS, PMB, PHS e PP. Hoje ele anunciará a adesão de mais uma sigla, o DEM. A informação foi antecipada ontem pela Coluna do Estadão.

Com esse arco de alianças, o tucano terá o maior tempo. Em sua primeira disputa eleitoral, o empresário conta com 3min2s em cada bloco de 10 minutos.

Outros 12min45s diários serão distribuídos diariamente em inserções de 30 ou 15 segundos ao longo do dia.

Já Haddad, que tentará a reeleição, já tem ao seu lado PCdoB, PR, PDT e PROS. Isso lhe garante 2min30s em cada bloco e 10min28s para dividir em pequenas inserções diárias. A polarização entre o tucano e o petista deixou os demais pré-candidatos sem opções para ampliar o tempo de TV.

Mesmo com apoio do presidente interino Michel Temer, a senadora Marta Suplicy, do PMDB, deve contar apenas com o tempo de TV do seu partido, que é de 1min45s em cada bloco de 10 minutos e 5min10s para dividir em propagandas de 15 segundos ou 30 segundos.

O vereador Andrea Matarazzo, que é pré-candidato pelo PSD, terá apenas 43 segundos em cada bloco de dez minutos e pouco mais de 3 minutos para dividir em pequenas propagandas diárias.

Como todos os partidos grandes e médios já fecharam suas posições, os postulantes à Prefeitura de São Paulo tentam agora atrair um bloco de 7 legendas “nanicas”. As articulações têm de ser finalizadas até a primeira semana de agosto, quando termina o prazo para as convenções partidárias que oficializarão as candidaturas.

Rearranjo. Emparedado entre o PSDB e o PT, o vereador Andrea Matarazzo (PSD) diz que já esperava a polarização. “São as duas máquinas que estão atraindo esses partidos. Não tem como dizer que são coligações programáticas ou ideológicas”, afirma ele.

Tucanos e petistas negam que exista uma troca, mas Alckmin e Haddad promoveram mudanças em seus secretariados para acomodar aliados. Para receber o apoio do PR, Haddad entregou duas pastas à sigla, Esporte e Meio Ambiente.

O PC do B tem a Educação e SPTuris, o PDT, a secretaria de subprefeituras e o PROS, a de Turismo. “Os partidos que estão com o Haddad compõem o governo faz tempo, já os que estão com Doria foram levados ao governo agora”, diz Paulo Fiorilo, presidente do PT paulistano.

Os tucanos rebatem e dizem que a maioria das siglas que declararam apoio ao pré-candidato do PSDB também são aliadas antigas do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. “Todos os partidos que contam com tempo relevante de TV estão conosco faz tempo”, diz Julio Semeghini, coordenador da pré-campanha de Doria.

A exceção é o PP, que espera assumir uma pasta estadual.

Alckmin conta com três secretarias ainda abertas para contemplar aliados, Turismo, Logística e Transporte e Cultura.

Na última pesquisa IBOPE sobre a disputa em São Paulo, divulgada no dia 21 de junho, Celso Russomanno (PRB) apareceu na liderança, com 26% das intenções de voto.

Marta Suplicy (PMDB), Luiza Erundina (PSOL), Fernando Haddad (PT), João Doria (PSDB) e Andrea Matarazzo (PSD) aparecem em segundo, em situação de empate técnico.

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