Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Doria e França disputam legado de Alckmin em debate na Globo

Candidatos ao governo do Estado voltam a se atacar, mas citam realizações do ex-governador tucano

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 00h02

Após um inédito pacto de não agressão no último encontro, no SBT, os candidatos ao governo de São Paulo, João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB), voltaram a se atacar nesta quinta-feira, 26, no debate da TV Globo, o último antes da eleição, e disputaram pela primeira vez na campanha o legado do ex-governador Geraldo Alckmin.

Enquanto o atual governador tentou capitalizar a queda dos índices de criminalidade e as inaugurações de estações de Metrô nos seis meses em que assumiu o comando do Estado após a renúncia de Alckmin, Doria rebatia dizendo que o adversário se apropriava de obras e programas feitos na gestão do ex-governador. Fez isso também com o Leve Leite e o Bom Prato. "Você está inaugurando linhas que foram executadas pelo governo Geraldo Alckmin".

Apesar das inúmeras citações a Alckmin, o ex-prefeito voltou a explorar seu apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), citado quatro vezes por ele ao longo do debate, e tentou vincular França ao PT e aos movimentos de esquerda que declararam apoio à candidatura do governador. "Sou contra a esquerda e por isso sou Jair Bolsonaro em São Paulo", afirmou Doria.

Numericamente atrás nas pesquisas de intenção de voto, que apontam empate técnica dentro da margem de erro, França iniciou as críticas a Doria, que repetiu o pedido feito no debate anterior para discutirem propostas. Logo em sua primeira pergunta, o governador explorou o fato de estar ganhando do tucano na capital. "Você não acha que alguma coisa deu errado aqui?", perguntou França. "Eu quero falar de propostas", respondeu Doria.

França voltou a chamar Doria de "oportunista" por criticar o setor público mas receber patrocínio de empresas estatais em suas revistas e eventos e disse que apesar da bandeira da privatização o tucano não conseguiu privatizar nada durante os 15 meses em que foi prefeito da capital. "O João fala, fala, fala e não conseguiu privatizar nada".

Após dois blocos na defensiva, Doria partiu para o contra-ataque usando as mesmas armas do horário eleitoral gratuito. Chamou França de "carreirista" por atuar há 30 anos na vida pública, disse que o governador aparelhou o governo com petistas e que recebeu apoio do Movimento dos Sem Terra (MST). "O meu lado é o verde-amarelo. O seu é o vermelho", afirmou.

Quando debateram propostas, Doria reforçou seu plano de endurecer a atuação das polícias e chegou a repetir quatro vezes o mantra de sua campanha: "Comigo é polícia na rua e bandido na cadeia". França, por sua vez, explorou a escolha de sua vice da PM, a coronel Eliane Nikoluk (PR), e o apoio que tem recebido dos policiais.  

Doria acusou ainda um aliado de França, o vereador da capital Camilo Cristófaro (PSB), de divulgar fake news contra ele, inclusive, de “disseminar” nas redes sociais vídeo íntimo atribuído a Doria. Nesta quinta-feira, Cristófaro publicou um vídeo ao lado de um perito dizendo que não havia montagem na gravação, como afirma uma perícia contratada pelo tucano. Após o debate, Doria disse que irá processá-lo. França, por sua vez, disse que o vereador era aliado de Doria na Prefeitura.

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