Hélvio Romero|Estadão
Hélvio Romero|Estadão

Doria é alvo do MP Eleitoral antes do início da campanha

Pré-candidatura do PSDB é investigada por suspeita de abuso de poder econômico e propaganda antecipada; defesa nega

Pedro Venceslau, Valmar Hupsel Filho e Mateus Coutinho, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2016 | 09h43

Antes mesmo de formalizar sua candidatura, o empresário João Doria, nome do PSDB para a disputa pela Prefeitura de São Paulo, é alvo de investigações abertas pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo. No início do mês, o MPE abriu dois procedimentos para apurar se Doria teria se beneficiado de jantares promovidos por empresas e feito propaganda eleitoral antecipada.

O empresário também já foi alvo de representação por suspeita de abuso de poder econômico durante o processo de prévias para a escolha do candidato tucano à Prefeitura.

A representação foi feita pelo ex-governador paulista Alberto Goldman, que integra a Executiva nacional do PSDB, e pelo senador tucano José Aníbal (SP). Ambos apoiaram na disputa interna o vereador Andrea Matarazzo, que abandonou as prévias no segundo turno e deixou o PSDB – ele se filiou ao PSD e também é pré-candidato a prefeito na capital paulista.

Goldman e Aníbal acusaram o empresário de comprar votos nas primárias tucanas, oferecer comida e até promover churrasco para militantes do partido na capital paulista.

O MP Eleitoral investiga a participação de Doria em um jantar oferecido no início de junho pela empresa Gocil, parceira do Grupo Lide, uma associação de empresários organizada pelo empresário. Além de ser proibida a doação ou qualquer tipo de financiamento de empresas para políticos e partidos, a legislação eleitoral proíbe que pré-candidatos realizem eventos políticos que não sejam financiados pelo próprio partido.

Ao discursar no evento, Doria disse que, se eleito, ficaria apenas quatro anos à frente da Prefeitura e, após esse período, gostaria de olhar para as pessoas e dizer: “Cumpri o meu dever com honra e honestidade e fui um bom prefeito dessa cidade”. O conteúdo do vídeo foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo o MP, o jantar foi patrocinado pela Gocil, a um custo de R$ 60 mil. 

Lide. A empresa afirmou que o evento foi um “jantar empresarial” sem nenhuma relação conotação política oferecido “em homenagem” a Doria. 

O advogado Anderson Pomini afirma que o jantar foi oferecido a Doria por uma empresa associada ao Lide em razão de seu afastamento do comando da associação para se dedicar à candidatura. “É um jantar que não tem nada a ver com campanha. É um jantar em homenagem ao empresário João Doria”, disse. “Quais foram os convidados? Todos os associados vinculados à Lide. Então não tem nada de irregular, é um absurdo.”

Sobre a ação apresentada por Goldman e Aníbal, o advogado classificou como o “inconformismo daqueles que não venceram as prévias”.

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