Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Doria cita Bolsonaro 14 vezes mais que Alckmin

Tucano candidato ao governo de São Paulo fez 57 referências ao presidenciável do PSL e apenas 4 a seu padrinho político

Fabio Leite, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2018 | 05h00

Criticado por “esconder” Geraldo Alckmin (PSDB) em sua campanha no primeiro turno das eleições 2018 e por tentar “pegar carona” na popularidade de Jair Bolsonaro (PSL) no segundo, o candidato tucano ao governo de São Paulo, João Doria, citou 14 vezes mais o nome do capitão reformado do Exército do que o de seu padrinho político nas redes sociais desde o início oficial da campanha, em agosto.

Levantamento feito pelo Estado em mais de 350 publicações e 250 vídeos divulgados nas páginas de Doria no Twitter e Facebook constatou 57 citações do ex-prefeito a Bolsonaro, ante apenas quatro ao ex-governador paulista, que ficou em quarto lugar na corrida ao Palácio do Planalto. Somadas as duas redes, Doria tem 3,5 milhões de seguidores.

São textos e vídeos com declarações explícitas de apoio a Bolsonaro ou com as expressões #BolsoDoria, em referência à dobradinha nas duas eleições, ou #B17, em alusão ao número do presidenciável do PSL. Já Alckmin foi lembrado em apenas dois posts com a hashtag “geraldopresidente” em setembro e outros dois publicados ontem nos quais Doria afirma que não indicará o ex-governador para ser seu secretário da Segurança Pública, caso seja eleito. Não há pedido de voto nem declaração de Alckmin. 

Com exceção da mensagem de solidariedade publicada no dia em que Bolsonaro foi alvo de ataque em Juiz de Fora (MG), em 6 de setembro, todas as referências de Doria ao presidenciável do PSL ocorreram no segundo turno, uma média de três menções por dia. Doria já vinha sendo criticado por alckimistas por esconder o ex-governador desde o início da campanha, mas a crise se agravou dias antes do primeiro turno, quando aliados de Doria passaram a incentivar o voto Bolsodoria. No primeiro turno, em São Paulo, Bolsonaro obteve mais de 12 milhões de votos (53%) enquanto Alckmin teve pouco mais de 2 milhões (9,5%).

Em nota, a assessoria de Doria afirmou que ele “fez campanha com o PSDB ao lado de Geraldo Alckmin durante todo o primeiro turno, declarando apoio a ele em manifestações, agendas e entrevistas. Doria só manifestou apoio a Jair Bolsonaro após a conclusão da apuração dos votos do primeiro turno”. 

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