Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Doria anuncia apoio do PP nas eleições 2018 e sugere vaga ao Senado para Paulo Skaf

Presidente licenciado da Fiesp afirma ao ‘Estado’ que seu nome estará na urna em outubro ‘como candidato a governador de São Paulo’

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 15h44

SÃO PAULO - Ao anunciar oficialmente a adesão do PP a seu projeto de disputar o Palácio dos Bandeirantes nas eleições 2018, o ex-prefeito João Doria (PSDB) fez acenos ao MDB  e ofereceu uma das vagas ao Senado para o presidente licenciado da Fiesp, Paulo Skaf, que pretende ser novamente candidato ao governo estadual. “Portas abertas e corações pulsantes”, disse o tucano ao fazer a sugestão para o emedebista. Já Skaf afirmou que seu nome “estará na urna eletrônica no dia 7 de outubro como candidato a governador de São Paulo”.

No evento de anúncio do quinto partido que pode estar em sua chapa, Doria afirmou que um acordo com o MDB poderia ser fechado em julho, antes das convenções partidárias. “Ajudaria a fortalecer e engrandecer esse movimento democrático em busca de uma coalizão para defender São Paulo em uma ampla frente da qual ele seria um dos protagonistas, e nesta condição, talvez ocupando, a seu desejo, uma das chapas para o Senado Federal”, declarou.

O ex-prefeito afirmou ainda que a candidatura “engrandeceria” a imagem de Paulo Skaf, mas ponderou que respeitava o direito de ele querer ser candidato a governador.

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Ao Estado, no entanto, Skaf reafirmou sua intenção de concorrer ao governo este ano. “Meu nome estará na urna eletrônica no dia 7 de outubro como candidato a governador de São Paulo. Já fui candidato em 2010 e tive pouco mais de um milhão de votos. Fui candidato em 2014 e tive quase 5 milhões de votos e, de forma muito coerente, sou novamente pré-candidato ao governo de São Paulo”, afirmou. Segundo ele, o MDB já marcou para o dia 28 de julho a convenção partidária que irá lançar oficialmente sua candidatura ao governo.

De acordo com um interlocutor de Doria, a sugestão foi feita para manter as portas abertas ao MDB, apesar de a campanha acreditar que, no momento, a posição de Skaf nas pesquisas eleitorais o faz insistir em sua candidatura. Além do apoio à candidatura estadual, o ex-prefeito de São Paulo defende o apoio do MDB ao ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB)  na disputa pela Presidência da República.

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Mudança. O anúncio do PP foi feito uma semana após o partido ter oficializado aliança com o governador Márcio França (PSB), que tentará a reeleição. Ao adicionar o PP entre os partidos que devem compor sua chapa, Doria pode ter a maior fatia do horário eleitoral em rádio e TV destinado ao governo de São Paulo. O PP se alia ao PSD, DEM, PTC e Podemos, que já anunciaram apoio à candidatura do ex-prefeito.

Participaram do evento líderes de outros partidos que já declararam apoio a Doria, como o ministro Gilberto Kassab (PSD) e o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM).

O presidente do diretório estadual do PP, o deputado federal Guilherme Mussi, justificou a mudança de posição como um “erro de timing” na semana anterior. Segundo Mussi, o apoio a França havia sido formalizado na cúpula estadual da legenda, que recebeu sinais contrários de prefeitos e outras lideranças do interior do Estado e foi forçada a ampliar a consulta sobre o posicionamento.

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Ele disse que, desta vez, haverá fidelidade no apoio ao tucano. “A fidelidade se baseia no sentido de que já ampliamos ao máximo a escuta entre os representantes do partido no Estado. Acho que já se esgotou e não vai haver mais nenhum tipo de mudanças. A decisão está tomada e seguiremos juntos até o final”, afirmou.

O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, no entanto, não estava presente no anúncio. Mussi justificou incompatibilidade de agenda e afirmou que a decisão de apoiar Doria foi totalmente independente da cúpula nacional do PP.

Nacionalmente, os progressistas e o DEM negociam em bloco os rumos que tomarão nas eleições presidenciais. Considerando a aliança com o PSDB em São Paulo e a possibilidade de o DEM apoiar Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa pelo Planalto, Mussi disse acreditar que uma aproximação com o tucano no plano nacional “pode acontecer”.

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