Dona do Banco Rural é condenada a 16 anos

A ex-presidente do banco, Kátia Rabello ainda terá de pagar o valor de 386 dias-multa, que totaliza R$ 1,5 milhão

MARIÂNGELA GALLUCCI E EDUARDO BRESCIANI, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h05

A acionista do Banco Rural e ex-presidente da instituição financeira Kátia Rabello foi condenada ontem pelo Supremo Tribunal Federal a penas que se somadas totalizam 16 anos e 8 meses de reclusão e multa de mais de R$ 1,5 milhão. Os ministros estabeleceram as punições após terem concluído que ela teve envolvimento com o esquema do mensalão.

A maior pena imposta a Kátia foi pelo crime de lavagem de dinheiro: 5 anos e 10 meses de reclusão. Ela recebeu ainda penas de 4 anos e 7 meses por evasão de divisas, 4 anos por gestão fraudulenta e 2 anos e 3 meses por formação de quadrilha. "Ela ofereceu a estrutura do banco do qual era presidente para a quadrilha", afirmou o relator do processo, Joaquim Barbosa. O relator destacou a montagem de um sistema de lavagem de dinheiro que teria permitido 46 operações ocultadas dos órgãos de controle. "Os valores lavados eram significativamente elevados".

Ao julgar a ação, a Corte concluiu que dirigentes do Banco Rural tiveram participação em diversas irregularidades que ocorreram por meio da simulação de empréstimos e posterior liberação de recursos para o esquema do mensalão.

Os empréstimos foram concedidos ao PT e a empresas do empresário Marcos Valério sem que fossem dadas as devidas garantias. Os ministros também concluíram que foram descumpridas regras do Banco Central.

Conforme a acusação do Ministério Público, os milhões liberados serviram para alimentar o esquema do mensalão, possibilitando a distribuição do dinheiro para parlamentares em troca de apoio no Congresso em votações de interesse do governo do ex-presidente Lula.

Absurdo. "É extremamente exagerada a condenação, um absurdo imaginar que uma mulher como Kátia Rabello ir para a cadeia quando devia haver outras alternativas", reagiu, inconformado, o criminalista José Carlos Dias, que defende a banqueira. "Não há motivos para a condenação (de Kátia), ela não praticou nenhum ilícito. É caso único no Brasil uma mulher com o perfil de Kátia, com a história dela, sem nenhum antecedente de periculosidade, por ser dirigente de uma instituição financeira, vir a ser condenada a 16 anos." / COLABOROU FAUSTO MACEDO

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