Domínio do PMDB sobre cidades maiores deve recuar em favor do PT

Nos 83 municípios com pelo menos 200 mil habitantes, o clube do 2º turno, poderio peemedebista corre o risco de reduzir-se à metade

DANIEL BRAMATTI, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h10

Os resultados do 1.º turno e as mais recentes pesquisas de opinião indicam que o PT deve desbancar o PMDB como o partido mais influente nas cidades com pelo menos 200 mil eleitores, o chamado clube do 2.º turno. Esse grupo, formado pelos 83 maiores e mais ricos municípios, concentra cerca de 35% da população do País.

O PMDB costuma se sair melhor nos municípios menores. Nas eleições de 2008, porém, teve um desempenho atípico nas cidades grandes e passou a governar 26% dos eleitores do clube do 2.º turno, que na época tinha 77 integrantes. O partido ficou em primeiro lugar no ranking de eleitorado governado na época, à frente do DEM, que, graças à vitória em São Paulo, havia conquistado o comando de 20% do eleitorado dos 77 maiores municípios.

Agora, o indicador que revela o poderio dos peemedebistas nesses grandes centros pode até cair pela metade. Nos 83 municípios que atualmente têm mais de 200 mil eleitores, o partido deve comandar entre 13% e 15% do eleitorado, segundo indicam as últimas pesquisas.

Depois do Rio de Janeiro, o segundo maior município do País, com 4,7 milhões de eleitores, a cidade mais importante conquistada pelo PMDB no 1.º turno foi Aparecida de Goiânia (GO). O partido ainda pode vencer em Nova Iguaçu (RJ) e Sorocaba (SP), com 525 mil e 384 mil eleitores, respectivamente. Nenhuma dessas cidades, porém, pode ser considerada um polo político de importância nacional.

Sozinho, o município do Rio de Janeiro concentra quase 65% do eleitorado total que os peemedebistas podem chegar a governar no clube do 2.º turno. Nem o PT, com a eventual vitória em São Paulo, terá o eleitorado a governar tão concentrado em uma única cidade.

Outro indicador que revela o recuo peemedebista é o número de prefeitos nos municípios com mais de 200 mil eleitores. Em 2008, o partido elegeu 17 e, em 2012, o mais provável é que se limitem a 9.

Quem cresce. O encolhimento do PMDB nos grandes centros coincide com o avanço do PT e do PSB. Os petistas, se vencerem em São Paulo, tomarão o lugar do PMDB no topo do ranking do eleitorado a comandar nos 83 maiores municípios. Nas eleições de 2008, o partido elegeu prefeitos que passaram a governar 17% do eleitorado das grandes cidades. Esse contingente pode até dobrar em 2012.

As cidades onde o PT já venceu e onde seus candidatos são líderes isolados têm 29% do eleitorado do País. Se o partido vencer também onde seus representantes estão empatados tecnicamente na liderança, a fatia a governar nos grandes centros poderá chegar a 35%.

São Paulo é a principal responsável pelo possível salto petista. Sozinha, a cidade concentra 17% dos eleitores do clube do 2.º turno. Se perderem a capital paulista para o PSDB, os petistas ficarão praticamente empatados com os peemedebistas no ranking do eleitorado a governar, atrás dos tucanos.

Mas as chances de uma virada em São Paulo são remotas, segundo as pesquisas. Com isso, o PSDB tende a reduzir levemente sua fatia do eleitorado a governar nos grandes municípios. Em 2008, o índice foi de 13%, e agora pode chegar a 12%.

Assim como o PT, o PSB tem chances concretas de dobrar sua participação no comando do eleitorado das grandes cidades, de 6% para 12%. E pode até chegar a 15% se vencer em Fortaleza, onde as pesquisas indicam um empate entre Roberto Cláudio (PSB) e Elmano de Freitas (PT).

Em sua primeira eleição, o PSD do prefeito Gilberto Kassab não mostrou força nas grandes cidades. No 1.º turno, venceu apenas em Mogi das Cruzes. No 2.º, tem chances em uma única capital, Florianópolis, e é favorito em outras duas cidades: Joinville e Ribeirão Preto. Com isso, pode governar no máximo 3% do eleitorado do clube do 2.º turno.

Em situação não muito diferente está o DEM, antigo partido de Kassab. Depois de vencer na capital paulista em 2008, o partido tem agora em Salvador sua maior aposta. No máximo, poderá comandar 6% dos eleitores dos 83 maiores municípios.

No total, 15 partidos têm chances de eleger prefeitos no clube do 2.º turno. Em 2008, 11 legendas venceram nesse grupo.

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