PROFESSOR DO PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS-GRADUADOS EM CIÊNCIAS SOCIAIS DA PUC-SP, PESQUISADOR DO NÚCLEO DE PESQUISA EM POLÍTICAS PÚBLICAS DA USP, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h06

O PT comemora sua década no governo federal sustentando, em curiosa cartilha, o embate entre dois projetos para o País: o primeiro, democrático e virtuoso; o segundo, o neoliberal dos conservadores de plantão. Contudo, há que se explicar o enorme consenso social e político sobre as principais políticas públicas, em particular as macroeconômicas, e a ausência de uma voz oposicionista contumaz.

Se há dois projetos antinômicos, seria de se esperar alguma polarização política, além de crescente depuração das alianças eleitorais e congressuais representando a consequente clivagem. O sistema político está longe de apresentar tais características.

Considere-se, em primeiro lugar, o alinhamento do governo federal com as elites empresariais na formulação das políticas econômicas. Nada indica que os empresários estejam particularmente descontentes e não contemplados. Sabe-se que certas indefinições permanecem mais por não haver unidade de expectativas entre os vários setores produtivos do que dificuldades de acordo político.

Quanto às elites políticas, o espectro de alianças é tão largo que dificilmente poderia ser abarcado por um projeto de poder polarizador.

Quanto mais à esquerda estariam os peemedebistas José Sarney e Renan Calheiros do tucano Aécio Neves? Se Eduardo Campos (PSB-PE) se alinha ao projeto petista, por que está se comportando como alternativa?

De fato, pesquisas sobre a posição dos parlamentares tem revelado enorme e crescente convergência ao centro, em todos os partidos. Isso tudo desde que o oposicionismo sistemático, antes descompromissado com a agenda governativa, chegou ao poder.

Por que, então, insistir na existência de uma polarização? Exatamente porque, ao não existir agendas realmente conflitantes, aumenta-se a pressão no sentido de criá-la pela retórica.

O que o eleitor vai ajuizar é a versão quando se encontrar diante das urnas.

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