Doença de Lula já pauta debate de 2012 entre tucanos de SP

Cenário: Julia Duailibi

O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2011 | 03h02

Não foi a baixa intenção de votos dos pré-candidatos tucanos e petista, apontada pelo Datafolha divulgado no domingo, que chamou a atenção de lideranças do PT e PSDB. Uma certa histeria já é esperada pelo meio político toda vez que as pesquisas mostram que patinam na largada as apostas eleitorais dos maiores partidos. Eleição vai, eleição vem, e a história se repete.

Os baixos porcentuais de intenção de voto nesta altura do campeonato - ou seja, a mais dez meses da eleição - não causam dor de cabeça nos marqueteiros nem nas cúpulas partidárias. A eleição só começa, argumentam, quando estreia a verdadeira arma de convencimento do eleitor: a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Geralmente é a partir dos programas na TV que os candidatos novatos começam a ganhar musculatura nas sondagens de intenção de voto, amparados pelos minutos de exposição que as alianças partidárias proporcionam.

Foi assim com Gilberto Kassab em 2008, foi assim como Dilma Rousseff em 2010. E tende a ser assim tanto com Fernando Haddad (PT) quanto com qualquer um dos quatro pré-candidatos do PSDB, que ainda não passam dos 6%.

O que realmente chamou a atenção dos caciques petistas e tucanos foi o crescimento da influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no quadro eleitoral paulistano. De acordo com o Datafolha, se a eleição fosse hoje, quase metade dos eleitores votaria num candidato apoiado por ele. Enquanto os petistas comemoravam o porcentual de transferência de voto de Lula ( 48%), os tucanos indagavam a razão do aumento de seu poder de fogo, que cresceu oito pontos porcentuais desde setembro.

Lula não é considerado pelos tucanos "bom eleitor" na capital. Perdeu na cidade para Alckmin na eleição presidencial de 2006. Em 2010, Dilma Rousseff teve desempenho eleitoral melhor que o de Lula, mas foi derrotada por Serra.

Entre os tucanos, não foi descartada a tese de que a doença do ex-presidente, que faz tratamento de quimioterapia contra câncer na laringe, pode ter conferido a Lula uma força eleitoral maior. A avaliação não só não foi descartada como foi considerada pelos tucanos uma das principais explicações para o fenômeno, já que nas últimas semanas a exposição de Lula esteve relacionada ao seu tratamento de saúde.

A tese tucana não encontra respaldo nos petistas. Líderes do partido dizem que pesquisa encomendada pelo PT sobre do cenário na capital paulista, há cerca de três meses, já mostrava um potencial de transferência de votos de 46%.

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