Doadores dizem seguir lei e estimular democracia

JBS afirma escolher candidatos com quem compartilha valores; Vale não comenta e OAS não especifica critérios

Daniel Bramatti, José Roberto de Toledo e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2014 | 03h00

A reportagem procurou as três maiores doadoras que distribuíram, cada uma, mais de R$ 10 milhões para a nova bancada da Câmara dos Deputados para se posicionar sobre as doações. O Grupo Vale afirmou, por telefone, que preferia não comentar a respeito. A Construtora OAS afirmou apenas que realizou todas as doações eleitorais na forma da lei, sem especificar qual foi o objetivo da empresa ao fazer essas doações e o motivo pelo qual escolheu os candidatos e partidos que foram contemplados, conforme havia sido questionado.

Já a JBS afirmou que a escolha dos políticos e partidos foram feitas a partir dos projetos apresentados por ambos, preferindo os que estivessem em linha com os valores e crenças da JBS. O objetivo das doações, segundo a empresa, é contribuir com o debate político e o desenvolvimento da democracia no Brasil.

Atualmente, a regra eleitoral permite que as companhias possam doar até 2% de seu faturamento do ano anterior à eleição para campanhas políticas, enquanto pessoas físicas podem doar até 10% dos seus rendimentos brutos. No entanto, não há limite absoluto máximo para o valor dessas doações, nem do total que cada candidato pode receber e gastar na sua campanha. Isso faz com que, na prática, grupos com alto faturamento possam doar muito mais do que pessoas físicas ou empresas menores. 

No caso da JBS, a companhia afirmou que as doações realizadas até agora não representam sequer 0,2% do faturamento da empresa em 2013. A distribuição das doações por vários políticos e partidos também foi justificada pela dispersão das unidades produtivas e centros de distribuição da empresa pelo País.

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