Dívida de SP pode comprometer futuro da cidade, afirma Haddad

Para o prefeito eleito, não renegociar pagamento dos R$ 52 bilhões com União inviabiliza projetos no 'longo prazo'; Dilma prometeu ajudar

O Estado de S.Paulo - atualizado às 11h19

30 de outubro de 2012 | 10h35

O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira, 30, que a não renegociação da dívida paulistana com a União, hoje em R$ 52 bilhões, pode comprometer projetos de longo prazo da Prefeitura. No dia seguinte à eleição, Haddad já abordou o assunto com a presidente Dilma Rousseff, que prometeu ajudar.

 

"[A dívida] compromete as futuras gerações da cidade. Ela já está num patamar insuportável", declarou Haddad em entrevista à rádio Estadão ESPN nesta manhã. Nos cálculos do futuro prefeito, até o fim do ano o débito estará em torno de R$ 60 bilhões, o que representa duas vezes a receita líquida da Prefeitura.

 

"[A dívida não inviabiliza a gestão] embora comprometa o longo prazo. Não posso trabalhar só para os paulistanos dessa geração. Inviabiliza o futuro de São Paulo, por isso não posso descuidar", disse o prefeito eleito minutos antes à rádio CBN nesta manhã. Sem mencionar nomes, Haddad disse que já na próxima semana um grupo de trabalho será criado para tratar das negociações.

 

Pelo contrato atual, a capital paulista precisa desembolsar todos os meses 13% da sua receita líquida ao governo federal. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Estados e municípios cuja dívida ultrapassam um certo limite, como é o caso de São Paulo, não podem contrair novas dívidas.

 

Haddad não quis dar detalhes, mas adiantou que as negociações podem envolver empréstimos do Banco Mundial e juros mais baixos. Nessa segunda-feira, 29, após a conversa com a presidente, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, sinalizou ser favorável a mudar a forma do cálculo dos juros.

 

Para o "curto prazo", o prefeito eleito pretende focar nas parcerias com os governos federal e estadual. Depois de se encontrar com Dilma, Haddad visita nesta terça o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. "Minha intenção é dizer a ele com todas as letras que jamais colocarei interesse pessoal acima do interesse público. Portanto, todo investimento do estado na cidade é bem-vindo e que ele conte com a parceria da Prefeitura", disse. "As parcerias com os governos são tão importantes quanto a renegociação", completou.

 

Inspeção e Bilhete Único Mensal. Haddad afirmou também não ter adiado para 2014 duas das suas principais promessas de campanha, o fim da taxa de inspeção veicular e a criação do Bilhete Único Mensal. "Dependo da aprovação da Câmara. O mais tardar, vai valer para 2014. Mas se a Câmara aprovar, vai valer para 2013", disse.

 

 

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