'Divergir não é mais exceção', diz presidente

Dilma afirma que Brasil 'devorou e digeriu artifícios autoritários para construir democracia' em entrega de prêmio

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h04

Ao defender a liberdade da imprensa, a presidente Dilma Rousseff aproveitou a entrega do 17.º Prêmio Direitos Humanos, no Palácio do Planalto, para ressaltar que o Brasil "devorou e digeriu artifícios autoritários para construir uma democracia". E reconheceu que o Brasil tem uma trajetória "complicada" na questão dos direitos humanos.

"O Brasil devorou, digeriu todos esses artifícios autoritários e conseguiu construir uma democracia. Nós temos de nos orgulhar disso", disse Dilma. "Somos um país em que divergir não é mais sinônimo de exceção. Eu inclusive disse, durante a campanha eleitoral, que preferia o barulho às vezes extremamente dolorido da imprensa livre do que o silêncio das ditaduras."

Dilma relembrou, de forma indireta, sua atuação na época da ditadura, ao dizer que "fazer greve era questão de polícia, divergir era questão de cadeia e lutar poderia levar ao cárcere e até a morte". E afirmou: "Além das vítimas dos processos ditatoriais, como conhecemos aqui no Brasil, (os regimes) deixam marcas muito fortes em atitudes arbitrárias, inclusive do poder público, em relação à sociedade".

Juíza. A edição deste ano do prêmio prestou homenagem, entre outros, à juíza Patrícia Lourival Acioli, assassinada com 21 tiros quando chegava em casa, em Niterói (RJ), em agosto. "Esse é um reconhecimento do trabalho que ela fez, tudo que ela fez pelas pessoas e pelo Brasil", disse Ana Clara, filha da juíza, que recebeu o prêmio in memoriam.

Também foram agraciados o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto (na categoria "garantia dos direitos da população LGBT"), relator da ação que reconheceu a união estável homoafetiva, e o Instituto Vladimir Herzog, na categoria "direito à memória e à verdade". O prêmio é dado desde 1995 a pessoas e entidades que se destacam na defesa e promoção dos direitos humanos. / RAFAEL MORAES MOURA e TÂNIA MONTEIRO

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