Filipe Strazzer
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Divergências entre projetos de Leite e Sartori se acentuam em debate da Band

O candidato tucano e o atual governador também trocaram provocações no primeiro encontro na TV no segundo turno

Filipe Strazzer, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 00h46

PORTO ALEGRE - O primeiro debate da TV entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul no segundo turno das eleições 2018, realizado na noite desta quinta-feira, 19, pela Band, foi marcado por divergências acerca de projetos entre os candidatos. Eduardo Leite (PSDB) e José Ivo Sartori (MDB) destacaram as diferenças entre seus projetos. O clima também esquentou e houve troca de provocações.

Candidato à reeleição, Sartori discursou principalmente em defesa do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) - plano que permite ajuda federal ao Rio Grande do Sul para a crise fiscal - e defendeu que a recessão nacional tem sua parcela nos problemas financeiros do Estado. “Pensamos que a economia nacional que tem mudar, ela gera desconforto para Estados e municípios. Mas temos um plano e R$ 11,3 bilhões ficarão no Rio Grande desde que se assine o regime”, disse o emedebista.

Já Leite pregou “velocidade” no desenvolvimento do Estado e “estímulos à competitividade”. “Temos que criar um ambiente acolhedor para estimular investimento, reduzir burocracia para projetos e alvarás, reduzir impostos e investir em infraestrutura”, afirmou o tucano.

Ao longo do debate, os candidatos fizeram questão de expor as diferenças entre seus projetos, às vezes com provocações. “Ele fala sobre um plano que está em execução e não resolveu o problema. Da forma que o plano está dado não vai poder incrementar efetivo das polícias”, criticou Leite. “Como é bom às vezes ter eleições, como todos os problemas se resolvam. Quero ver um governo que tenha contratado mais de 6 mil pessoas para a segurança. Eu vivo com os pés no chão”, respondeu Sartori.

O clima esquentou principalmente no último bloco, em que os candidatos tiveram dez minutos livres cada para poder falar o que quisessem, podendo ser interrompido pelo adversário. “Na eleição passada, o senhor mostrou vontade e depois se resignou. As coisas não estão bem. A política que fazemos não promete resolver tudo, mas prometo não me acomodar”, disse Leite.

“Com toda a franqueza, parece que estou enxergando um candidato do PT. Tudo é ruim, acabado, liquidado. Promessa não vai resolver o problema. Aqui ninguém se resignou”, respondeu o emedebista. “Eu nunca votei no PT. Nosso adversário tenta colar em mim a pecha do PT, mas ele foi o fundador do PCB e tem apoio do PSB”, afirmou Leite. “Todo mundo sabe das minhas origens políticas e nunca vacilei nas minhas atitudes. Sempre atuei com muita seriedade e muita tranquilidade”, retrucou Sartori.

No final, Leite pediu para Sartori “tirar a bunda da cadeira para fazer o Estado acontecer e girar a economia”, provocando o candidato à reeleição. “Eu lhe considerava diferente. Isso não é legal, não é bom para a estatura e a forma de alguém que quer governar o Estado”, comentou Sartori.

Pela manhã, candidatos debateram desenvolvimento do Estado e tributos

Na manhã desta quinta-feira, Leite e Sartori participaram de debate promovido pela Rádio Guaíba e o encontro foi marcado por questões que envolvem o desenvolvimento do Rio Grande do Sul e tributos.

Leite questionou seu adversário sobre sua posição acerca da manutenção das alíquotas do ICMS, que foram majoradas em 2016. “Estamos perdendo espaço com relação a outros Estados, é preciso previsibilidade. Vamos promover a redução do ICMS para dar ganhos”, afirmou o tucano, que prometeu rever as alíquotas do tributo em 2020.

O emedebista respondeu que a mudança no ICMS foi necessária na época e que “quando der será o primeiro a baixar o imposto”. “Eu não posso ser irresponsável de dar um prazo para que isso aconteça, porque não sabemos o que vai acontecer na economia do País e não temos certeza se vai ter continuidade ou não porque dependemos da Assembleia Legislativa”, disse Sartori.

Sobre o desenvolvimento, Sartori afirmou que o Estado “avançou” na questão da desburocratização, da criação da junta comercial digital e do licenciamento ambiental. “Nenhuma licença ambiental teve problema jurídico”, disse o candidato do MDB. Já Leite prometeu “agilizar os processos e reduzir a burocracia”. “A queixa é geral na demora na concessão de licenciamentos e alvarás”, criticou o tucano.

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