Divergências acabam em bate-boca durante sessão

As divergências entre o relator e o revisor do processo do mensalão descambaram ontem para troca de insinuações e bate-boca. Durante a sessão, o relator Joaquim Barbosa insinuou que o revisor Ricardo Lewandowski fez "vista grossa" para algumas provas, pediu ao ministro que fosse transparente e passasse aos colegas no início da sessão a íntegra de seu voto.

O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h02

O auge da discussão teve como motivo a divergência entre os dois ministros sobre a existência de provas para a condenação do ex-secretário do PTB Emerson Palmieri. O relator votou a favor da condenação. O revisor discordou.

"Penso que permanecem sérias dúvidas quanto à participação de Emerson Palmieri nos fatos delituosos. Ele era um coadjuvante, um protagonista secundário", disse o revisor. Barbosa retrucou. E Lewandowski rebateu. "Se Vossa Excelência não admite a controvérsia, deveria propor à comissão de redação (do regimento do STF) que se abolisse a figura do revisor se quer que eu coincida com todos os pontos de vista."

O relator retrucou: "O colega está desmentindo o que consta do meu voto", disse, sugerindo que Lewandowski fazia "vista grossa" sobre dados que estão no processo. Marco Aurélio interveio: "Ninguém faz vista grossa aqui. Tem de aceitar as manifestações dos colegas".

Em seguida, Barbosa disse que Lewandowski estava contornando os fatos. Marco Aurélio novamente protestou: "Cuidado com as palavras". Barbosa rebateu: "Eu respondo pelas minhas palavras, ministro. Eu não gosto de hipocrisia".

Barbosa então cobrou de Lewandowski que distribuísse seus votos aos colegas assim que iniciada a sessão. "Vossa excelência não dirá o que eu tenho que fazer. Vossa Excelência já proferiu o seu voto", respondeu Lewandowski. O relator retrucou: "Então faça corretamente". Marco Aurélio novamente censurou o relator: "Policie sua linguagem".

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