Disputas se alastram e ameaçam cúpulas de siglas no 2º escalão

Planalto fala em demitir indicados do PMDB e do PSB no órgão ligado à Integração Nacional se ânimos não serenarem

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h06

As brigas pelo controle de postos-chave de estatais e órgãos ligados ao Ministério da Integração Nacional chegaram a tal ponto que já ameaçam a candidatura do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), à presidência da Câmara em 2013. Podem resultar também na derrocada do condomínio que domina o setor, formado principalmente pelo PSB e o PMDB.

Na tentativa de acalmar os ânimos de parlamentares de vários Estados do Nordeste que apadrinharam diretores das estatais, as direções de PSB e PMDB começaram a atuar e até mesmo a enquadrar os que insistem na disputa. Os dois lados sabem que estão fragilizados no momento. Também foram informados de que se continuarem brigando haverá uma intervenção da presidente Dilma Rousseff no setor. Poderão cair todos, na definição de um auxiliar da presidente da República.

No PSB as denúncias de que o ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) destinou 90% das verbas para a prevenção de catástrofes a seu Estado, Pernambuco, além de praticar nepotismo, foram um duro golpe no partido; já o relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) que aponta que o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), dominado pelo PMDB, teve prejuízo de R$ 312 milhões por causa da gestão de pessoal, atingiu diretamente Henrique Alves, padrinho do diretor-geral do órgão, Elias Fernandes.

Ação. Dilma já começou a agir no Dnocs. Anteontem, por ordem dela, Albert Gradvohl foi demitido da diretoria administrativa e financeira. Seu substituto é Vitor Souza Leão, um funcionário de carreira da CGU. Leão foi nomeado depois de uma negociação entre o vice-presidente Michel Temer, Henrique Alves e o ministro Fernando Bezerra. Isso tudo para preservar Elias Fernandes. Como resultado das negociações, o diretor-geral do Dnocs terá de fazer um relatório detalhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o que está acontecendo no órgão.

Ao procurar Temer para se queixar da demissão de Gradvohl, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), seu padrinho, responsabilizou Fernando Bezerra pelo desgaste do afilhado. Temer lhe disse que não adiantava arrumar mais confusão e que tentaria resolver tudo na base da negociação. Por isso, procurou o ministro. Os dois acertaram que Elias Fernandes seria mantido. Mas aí surgiram novas denúncias contra o diretor-geral do Dnocs, como a do prejuízo de R$ 312 milhões. Já não há mais certeza na manutenção de Fernandes.

No início de 2011 o líder peemedebista Henrique Eduardo Alves negociou com o PT o apoio ao candidato do partido à presidência da Câmara. Em troca, o PT fechará com ele no ano que vem, fazendo-o substituto do deputado Marco Maia (PT-RS).

Mas, se as brigas continuarem, o PSB poderá liderar um boicote à candidatura de Henrique Alves, apoiando outro parlamentar. Ao procurar o PSB para negociar, Temer levou tudo isso em consideração, porque em jogo está até mesmo uma derrota que pode comprometer os planos do PMDB de continuar forte, com chances de lançar um candidato à Presidência em 2014.

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