Disputa por ministério opõe PTB e PR

Integrantes do PR dizem que, se a presidente não os atender, corre o risco de ver a legenda se aliar a Eduardo Campos em 2014

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h03

A disputa do PTB e do PR por uma cadeira na Esplanada dos Ministérios está cada vez mais acirrada. Apesar da pressa dos partidos, a presidente Dilma Rousseff decidiu adiar para terça-feira a segunda etapa da reforma ministerial, aumentando as pressões por cargos entre os aliados.

Na lista dos cotados para ocupar o Ministério dos Transportes, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP) admitiu ser próximo do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no processo do mensalão e está prestes a perder o mandato.

"Sou próximo dele, sim, mas quem não é?", perguntou Rodrigues. "Já está definido que o Valdemar vai se afastar do partido e não é por isso que vai deixar de ser meu amigo." Rodrigues não vê prejuízos à sua eventual indicação para o governo pelo fato de ser amigo de Costa Neto e disse estar "assustado" com o que chamou de "fofocaiada" em Brasília. O PR tem, hoje, cinco candidatos a uma vaga no primeiro escalão do governo. Além de Rodrigues, estão na lista os deputados Jaime Martins (MG), Aracely de Paula (MG), Luciano Castro (RR) e Ronaldo Fonseca (DF).

Presidente nacional do PR e ex-ministro dos Transportes - defenestrado na "faxina" administrativa de 2011 -, o senador Alfredo Nascimento (AM) esteve ontem com Dilma, acompanhado do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (AM). A conversa girou em torno da Zona Franca de Manaus e da candidatura de Braga ao governo do Amazonas. Antes de Nascimento sair, Dilma prometeu chamá-lo novamente na terça-feira para definir o espaço do partido na equipe.

Em conversas reservadas, integrantes do PR dizem que, se a presidente não os atender, corre o risco de ver a legenda se aliar ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), possível adversário de Dilma em 2014.

"Se depender de mim, não haverá apoio a Eduardo Campos, mas não mando no partido", afirmou Rodrigues. O PR tem a oferecer a Dilma um dote de 1 minuto e dez segundos na propaganda eleitoral de rádio e TV, além de palanques nos Estados. O atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, é filiado ao PR, mas o partido quer substituí-lo por considerá-lo da "cota pessoal" da presidente. Dilma resiste à troca e pode oferecer uma estatal ao PR, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Sem nenhum ministério, o PTB também está à espera de uma definição da presidente. Agora, o partido do ex-deputado Roberto Jefferson - delator do mensalão - está de olho em Ciência e Tecnologia e na nova Secretaria da Micro e Pequena Empresa, prometida para o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD). O PTB quer indicar para o governo o senador João Vicente Claudino (PTB-PI).

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