Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Análise: Disputa pela Presidência ficará ainda mais emocional

Passado período protocolar de obsequioso silêncio, mais provável é que adversários de Bolsonaro voltem aos ataques ao candidato e a seu discurso

Carlos Melo*, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2018 | 05h00

O episódio é deplorável e não há meio termo. A sociedade deve repudiar atos de violência; países democráticos não os concebem nem os aprovam. A política foi inventada para evitá-los e o Estado para puni-los. Contudo, discute-se seu impacto na campanha eleitoral.

O primeiro aspecto será a tensão quanto às ruas. Hoje, os grupos políticos se consideram inimigos, ao invés de adversários. Radicais e provocadores não faltam e fragilizam a paz. Até o dia da eleição, haverá expectativa e torcida para que novos incidentes não ocorram.

De imediato, há a comoção que deve consolidar o patamar de intenção de votos em Jair Bolsonaro que as pesquisas já demonstravam. Possível que até cresça, ainda que dificilmente dispare. O ex-capitão permanecerá um candidato forte. Presume-se que avance ao 2º. turno.

Todavia, manifestações de solidariedade e estimas de restabelecimento não implicam em adesão e declaração de voto. Controverso, Bolsonaro angariou larga rejeição e, com o passar dos dias e a cabeça fria é plausível que a comoção ceda espaço à ponderação.

Passado período protocolar de obsequioso silêncio, o mais provável é que adversários, agora ou no 2º. turno, voltem aos ataques ao candidato e a seu discurso. À vítima não se deve atribuir a culpa, decerto. Mas, a identificação das bandeiras de Bolsonaro com o atentado que o vitimou será inevitável. Ainda mais emocional ficará a campanha. Voltamos à questão inicial: a torcida para que as ruas não saiam do controle.

* É CIENTISTA POLÍTICO E PROFESSOR DO INSPER

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