Disputa local é em clima de guerra fria

Mesmo saindo de cena, José Sarney ainda acaba sendo a figura central das eleições no Maranhão. A disputa estadual está polarizada em torno da imagem e do legado do ex-presidente.

SÃO LUÍS, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 21h00

O candidato da oposição, Flávio Dino (PC do B), líder nas pesquisas, se apresenta como a “oportunidade real” de superar os quase 50 anos de domínio do grupo de Sarney no Estado.

Seu principal adversário, Lobão Filho (PMDB), conhecido no Estado como Lobinho, defende o legado do ex-presidente, que há anos apadrinhou seu pai, o também peemedebista e hoje ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

O embate entre os rivais é ácido e, muitas vezes, remonta à época em que Sarney ainda estava em ascensão, ao assumir o comando do governo estadual em 1966. Lobinho costuma se referir a Dino como “o candidato comunista”, numa alusão ao nome da sigla do rival (Partido Comunista do Brasil) e à época em que Estados Unidos e União Soviética dividiam o mundo.

“É impossível implantar o comunismo num Estado da Federação. Eu vou governar com base na Constituição. Nós defendemos a visão do desenvolvimento com justiça social. Esse é o centro da nossa preocupação”, defende-se Dino.

No debate da Federação das Indústrias, as referências ao “comunismo” de Dino foram disparadas para desqualificar intervenções sarcásticas. “Não sabia que comunista fazia piadinha”, disse Lobinho após Dino ter ironizado sua proposta de colocar policiais em motocicletas em vez de ter mais viaturas.

Carga pesada. Dino, por sua vez, costuma se referir a Lobinho como “o candidato do Sarney”, conferindo carga negativa ao nome do político que caminha para a aposentadoria - Sarney declarou que vai se aposentar em janeiro de 2015.

Lobinho diz não se importar. Aceita ser o candidato “sarneyzista”. “Diferentemente de meus adversários, não escondo meus apoios, nem apoio incondicionalmente ninguém. Erros e acertos todo governo tem.”

As fortes críticas a Sarney fazem parte da estratégia de Dino para atingir seu adversário direto. Seu discurso é repleto de referências à histórica ligação entre Sarney e Edison Lobão. “A prática do grupo Sarney-Lobão é a de serem sócios dos negócios alheios, distorcem a livre concorrência”, afirma o candidato do PCdoB.

“Sobre Roseana Sarney, prefiro falar da grande revolução que ela fez na saúde, nas estradas e nos programas sociais de grande vulto”, responde o senador pelo PMDB. / F.B.

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