Disputa interna preocupa PT na Assembleia

Na luta por liderança da bancada do partido, Geraldo Cruz ganha apoio de independentes por retomar temas polêmicos

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2012 | 03h10

Integrantes do PT na Assembleia Legislativa e dirigentes do partido temem que a disputa pela liderança da bancada no Legislativo paulista, já deflagrada, possa trazer problemas aos petistas nas eleições municipais.

A preocupação reside em uma candidatura que vem ganhando adesões e é vista com bons olhos por deputados que consideram que a Primeira Secretaria da Casa, desde 1995 sob os cuidados do PT - e hoje comandada pelo deputado Rui Falcão, presidente da legenda -, fez vistas grossas a supostas irregularidades na Casa, parte delas atualmente investigada pelo Ministério Público.

A postulação que gera desconforto é a do deputado Geraldo Cruz. Ele comanda um movimento apreciado por deputados tidos como independentes. Além dele, anunciaram intenção de concorrer os deputados Luiz Cláudio Marcolino, Alencar Santana e Donizete Braga.

Segundo petistas ouvidos pelo Estado, Cruz surge como uma espécie de candidato de oposição, com discurso moralizante. Discretamente sinaliza que quer analisar com mais vagar alguns problemas que, embora não tenham tido grande publicidade, ainda atormentam deputados petistas.

O caso mais emblemático é o da TV Assembleia, que veio à tona no segundo semestre do ano passado. Na época, deputados acusaram a direção da televisão de usá-los como "laranjas" para desviar dinheiro de um contrato firmado pela Fundação Padre Anchieta, que operava a TV Alesp até fevereiro de 2011. Quatro deputados, dois da base e dois da oposição, acionaram o Ministério Público em setembro para que investigasse o caso. Nenhum deles do PT, que tem 24 dos 28 deputados da oposição. Seis meses depois, os procuradores ainda não deram nenhuma resposta aos parlamentares.

A TV também veio à tona em 2011 quando a Polícia Federal deflagrou uma operação que visava acabar com fraudes em convênios do Ministério do Turismo no Amapá. A PF prendeu na ocasião um ex-diretor da TV e o dono de uma empresa de fachada que recebeu R$ 8,7 milhões para alugar equipamentos ao canal.

Embora esteja subordinado oficialmente à Mesa Diretora, por um acordo político o departamento de comunicação da Assembleia fica sob responsabilidade da Primeira Secretaria, hoje comandado por Rui Falcão. Mesmo tendo herdado a tarefa de presidir o PT nacional e de percorrer todo o País, Falcão não abriu mão do cargo de secretário, que iria para outro partido se ele o dispensasse.

Em público, Geraldo Cruz nega que pretenda mexer com temas que incomodam seu partido. "Não tenho conhecimento de qualquer irregularidade. Quero apenas dar continuidade a um trabalho muito bom que vem sendo feito na bancada do PT", diz. "Houve esse problema com a TV, mas a primeira-secretaria tomou todas as providências e fez tudo o que pôde fazer."

A assessoria de Rui Falcão disse que ele não podia comentar o caso ontem porque já havia assumido outros compromissos.

O novo líder da bancada deve ser eleito na próxima terça-feira.

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