Dida Sampaio/Estadão e Ricardo Labastier/EFE
Dida Sampaio/Estadão e Ricardo Labastier/EFE

Disputa entre primos será voto a voto no Recife

Pesquisa Ibope mostra que João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) chegam ao dia da eleição empatados nas pesquisas, com 50%

Paula Reverbel , O Estado de S. Paulo

29 de novembro de 2020 | 05h00
Atualizado 29 de novembro de 2020 | 08h40

Protagonistas de uma sequência de desentendimentos há seis anos, os primos de segundo grau João Campos (PSB), de 27 anos, e Marília Arraes (PT), de 36 – ambos deputados federais por Pernambuco e herdeiros políticos da família Arraes –, chegam neste domingo ao segundo turno da disputa pela Prefeitura de Recife em situação de empate técnico, em uma das disputas mais acirradas do País. Além da briga pelo poder local, está em jogo uma demonstração de forças nacional entre duas legendas do campo da esquerda que preparam terreno para 2022: a aliança PSB-PDT e o PT – que conta tem apoio do PSOL na capital pernambucana.

Diferentemente de São Paulo, onde a maioria dos quadros e partidos de esquerda declarou apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) e passou a falar em “grande frente progressista”, em Recife, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou para Marília enquanto Ciro Gomes (PDT), subiu no palanque de Campos.

A disputa será voto a voto. Pesquisa Ibope divulgada ontem aponta que Campos e Marília estão empatados em 50% – a margem de erro é de três pontos porcentuais e o levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número PE-02002/2020. Em relação ao levantamento anterior do instituto, de quarta-feira passada, Campos recuou um ponto porcentual e Marília subiu também um, ainda se for considerado somente os votos válidos.

Na campanha, a petista afirmou que seu concorrente, se eleito, seria um “fantoche” da mãe, Renata Campos – viúva do ex-governador Eduardo Campos e aliada do atual prefeito, Geraldo Julio (PSB), e do hoje governador do Paulo Câmara (PSB). Marília chegou, mês passado, a chamar o primo de “frouxo” e sugeriu que ele estava se escondendo atrás da vice, Isabella de Roldão (PDT), para criticar as propostas petistas. 

Já Campos tem adotado um forte tom antipetista e chegou a dizer, durante um debate, que o PT não pode reclamar de corrupção porque não é possível contar nos dedos a quantidade de pessoas da sigla que foram presas sob acusações de desvios. Sua propaganda citou nomes de petistas como José Dirceu, Gleisi Hoffman e Aloizio Mercadante, afirmando que eles “querem voltar”. 

Embora Campos tenha, em 2018, apoiado Fernando Haddad ainda no primeiro turno da disputa presidencial e participado de agendas com Lula antes de sua prisão, a estratégia agora é atrair os eleitores antipetistas, já que 200 mil eleitores votaram em Mendonça Filho (DEM) e 112 mil optaram pela Delegada Patrícia (Podemos) – os dois se recusaram a declarar apoio no segundo turno. 

“Acho que o PSB de Pernambuco usa os mesmos métodos do PT nacional, que eu ajudei a derrubar. Então não seria coerente para mim referendar um projeto do PSB que é o poder pelo poder, que vai até 2038”, afirmou Mendonça, que prega o voto nulo no segundo turno. 

“A disputa no Recife separou definitivamente PT e PSB e aproximou fortemente PSB do PDT”, afirmou o senador petista por Pernambuco, Humberto Costa. Ele se queixa do tom antipetista que marcou a campanha de Campos e fala na possibilidade de o PT até desembarcar do governo de Paulo Câmara (PSB), que o PT ajudou a eleger em 2018.

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