Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Discussão sobre apoio a Marina só depois do 1º turno, diz Serra

Candidato ao Senado pelo PSDB evitou comentar sobre aproximação com a ex-ministra e disse que partido está concentrado na campanha de Aécio

José Roberto Castro e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 18h13

Atualizada às 21h12

São Paulo - O candidato do PSDB ao Senado, José Serra, disse nesta segunda-feira, 22, que ainda não é momento de se discutir apoio à candidata do PSB à Presidência, Marina Silva. O tucano tem sido citado pela candidata como um dos “bons políticos” que seriam procurados em um eventual governo. Questionado se aceitaria um convite para um ministério, Serra disse ter “boa relação” com a candidata do PSB, mas afirmou estar focado na campanha de Aécio Neves (PSDB) ao Planalto.

“Qualquer discussão envolvendo um possível apoio a Marina Silva, só depois do primeiro turno”, afirmou Serra, último participante da série Entrevistas Estadão, que ouviu os principais candidatos a presidente, vice-presidente, governador de São Paulo e senador pelo Estado. “Mas sempre tive uma boa relação com Marina”, recordou.

Para Serra, a candidata do PSB - segunda colocada nas pesquisas, atrás da presidente Dilma Rousseff e à frente de Aécio - tem sido vítima de ataques abusivos do PT. A campanha tucana também criticou Marina e tentou vinculá-la ao antigo partido, no qual militou por mais de 20 anos. “A meu ver, quem passa do ponto nos ataques é o PT”, disse Serra.

O candidato ao Senado defendeu a reforma política e disse que vai propor a adoção do voto distrital já em 2016, para escolha de vereadores de cidades com mais de 200 mil eleitores. Serra se posicionou contra à reeleição, aprovada no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, que veio a ser o primeiro presidente reconduzido ao cargo.

Para Serra, a reeleição de FHC teve virtudes, mas afirmou que é “indiscutível” que depois não deu mais certo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sucessor do tucano na Presidência, também ficou no cargo por dois mandatos consecutivos. “Como regra geral não deu certo. Defendo o fim da reeleição”, disse. “Tem um excesso de focalização na reeleição em vez de políticas permanentes.” O tucano defendeu a proposta de mandatos de cinco anos, tal como Aécio. 

Menor infrator. Serra disse ser a favor do aumento do tempo de internação de menores infratores a até dez anos - hoje, o limite é três anos. A proposta - segundo o candidato, de sua autoria - é semelhante à do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que defende internação de até oito anos.

Esse projeto difere do proposto pelo senador Aloysio Nunes, candidato a vice-presidente na chapa do PSDB e aliado de Serra. Defendido por Aécio, o projeto de Aloysio prevê a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos, o que para o candidato ao Senado seria mais difícil de aprovar no Congresso.

Drogas. O candidato do PSDB ao Senado afirmou ser contra a legalização das drogas e defendeu medidas como corte de cooperação do Brasil com países “cúmplices” com a produção de entorpecentes. Serra repetiu analogia feita em eventos públicos, na qual compara tráfico de drogas à pedofilia. “O fato de que não se consiga reprimir adequadamente o tráfico de drogas não implica que deva legalizar. Você não vai legalizar a pedofilia”, argumentou. O tucano defendeu tratamento diferente entre quem vende e quem usa drogas. “Uma coisa é o traficante, outra é o consumidor.”

Serra criticou indicações políticas em agências regulatórias e prometeu apresentar um projeto análogo à Nota Fiscal Paulista em âmbito nacional. Questionado se firmaria um compromisso de cumprir os oito anos de mandato, Serra afirmou que “a questão não está posta”. Hoje seu adversário na disputa pelo Senado, Gilberto Kassab (PSD) criticou o tucano por, em 2006, deixar a Prefeitura de São Paulo para se eleger governador e, em 2010, renunciar ao cargo para disputar a Presidência.

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