Discurso deve mudar com TV, diz cientista política

Para Lara Mesquita, da FGV-SP, busca por indecisos vai pautar fase oficial da campanha, a partir do próximo mês

Adriana Ferraz, Gilberto Amendola e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2018 | 15h28

A cientista política Lara Mesquita, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, considera que o início oficial da campanha, a partir de 16 de agosto, deve marcar uma inflexão no discurso dos pré-candidatos à Presidência – até agora sem preocupação específica de resgatar a confiança do eleitor que declara voto nulo ou em branco nessas eleições. “Esse discurso deve aparecer nas propagandas de TV. Daí, será preciso falar com todos os perfis de eleitor”, disse ela.

O senador Alvaro Dias, do Podemos, disse ao Estado que espera atingir os indecisos por meio de vídeos e postagens mais incisivas nas redes, destacando que é ficha limpa e que tem experiência administrativa – ele foi governador do Paraná. 

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A equipe do presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, considera que o desencanto dos eleitores com a política no Brasil explica os altos índices de votos nulos e o porcentual de indecisos. Por ora, a ordem é continuar “percorrendo o País” e “dialogar com os eleitores, estejam eles indecisos ou não”. 

Nas últimas semanas, no entanto, Alckmin passou a aparecer mais ao lado da mulher, Lu Alckmin, em vídeos e fotos das redes sociais. Em um deles, lembra que são casados há 39 anos e em outro afirma que é “apaixonado” por ela.

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Presidente nacional do PSOL e coordenador da pré-campanha de Guilherme Boulos, Juliano Medeiros disse que o número de eleitores descrentes com o pleito pode ser creditado aos escândalos de corrupção e ao processo que levou à cassação de Dilma Rousseff. Segundo ele, a estratégia da sigla é se aproximar cada vez mais dos movimentos sociais. “A ideia é mostrar que o povo pode fazer política”, afirmou ele.

Já o presidente do PDT, Carlos Lupi, disse que Ciro Gomes, presidenciável do partido, assim como os demais, deve ter “humildade” para reconhecer as razões pelas quais tanta gente pensa em anular o voto. “Nos últimos anos, não foram poucas as notícias sobre escândalos, roubalheira e desvios”, disse ele, acrescentando que a solução continua “dentro da política”.

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