Dida Sampaio
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Discurso de Alckmin terá defesa de aliança

Acordo com Centrão nas eleições 2018 será oficializado nesta quinta-feira, 26; tucano vai dizer que não existe fisiologismo

Pedro Venceslau , O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2018 | 05h00

O ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência nas eleições 2018, vai anunciar oficialmente nesta quinta-feira, 26, em Brasília, a entrada dos partidos do Centrão na sua coligação com um discurso formatado para se contrapor às críticas de adversários de que o acordo é fisiológico.

Para justificar a adesão de PR, DEM, PP, SD e PRB à sua chapa, o tucano vai dizer que alianças não servem apenas para o fisiologismo, mas para “tirar o País do buraco”. Ele pretende citar o processo de redemocratização, o Plano Real e a Constituinte como exemplos de momentos históricos que só foram possíveis graças à formação de coalizões. 

Após selar o acordo com o Centrão, Alckmin passou a ser alvo de adversários. A expectativa no entorno do ex-governador é que esse tema seja recorrente na campanha, mas a avaliação é que o tempo de TV conquistado compense o desgaste. Os tucanos acreditam ainda que o debate sobre fisiologismo tem alcance limitado e não tem potencial para a contaminar a campanha.

Uma das críticas veio de Marina Silva, pré-candidata da Rede ao Palácio do Planalto. “O condomínio do Alckmin é agora o condomínio que era da Dilma em 2014”, afirmou ela, nesta terça-feira, 24. 

O discurso desta quinta-feira também deve ser marcado por um tom conciliador. O tucano vai pregar que não há mais “vermelho e azul” na política (numa referência às cores usadas por PT e PSDB) e que ninguém mais quer saber do passado, mas olhar para o futuro. Outro eixo do discurso será a economia. O pré-candidato deve dizer que as políticas sociais serão mantidas e ampliadas, e que a política de geração de emprego e renda será sua principal política social. 

Manifesto. A campanha de Alckmin chancelou nesta quarta-feira, 25, o texto de um manifesto elaborado pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca que servirá como base programática da aliança. 

Anunciado como um “compromisso” da coligação de partidos da “Força Centro-Democrática”, o texto diz que o sistema de metas de inflação e a autonomia operacional do Banco Central para fixar a taxa de juros e observar as livres oscilações do câmbio provaram ser eficientes. O manifesto promete ainda “ampliar e aprimorar” as políticas sociais existentes, inclusive transformando o programa Bolsa Família em “política de Estado e não de Governo". 

“O contraponto do programa Bolsa Família será o programa de geração de empregos, que proporcionará segurança e dignidade para os chefes de família por todo Brasil”, diz o texto. 

O documento também promete “combate implacável” ao crime organizado e aos crimes de violência urbana e rural.

Apoio do bloco não muda diretrizes de programa de governo, afirma coordenador

Coordenador do programa de governo de Alckmin, o cientista político Luiz Felipe d’Avila disse ao Estado que o documento já está praticamente pronto e que não haverá mudanças nas diretrizes devido ao apoio dos partidos do Centrão.

“Dificilmente haverá alguma discussão questionando as diretrizes. Não acho que haverá grandes mudanças nas diretrizes gerais”, afirmou. A ideia do PSDB era lançar o programa no dia 5 de agosto, data da convenção tucana. Mas o partido pode rever esse cronograma para submeter antes o texto aos dirigentes das legendas da coligação.

“É muito importante a participação dos partidos da aliança na definição das metas dessas diretrizes, mas isso será o segundo momento, quando a campanha já tiver começado. Ninguém dos partidos é contra a reforma da previdência. Essa é uma diretriz geral. Mas qual será reforma? Vamos ouvir todos”, afirmou. 

Outro debate entre as siglas do Centrão e o PSDB é sobre o nome do coordenador político da campanha. Por pressão do DEM, o atual responsável pela área, o senador Marconi Perillo (GO), deve ser substituído. Um nome lembrado para assumir o posto é o do ministro da Comunicações, Gilberto Kassab, presidente do PSD. 

Questionado sobre o perfil ideal do novo coordenador político, d’Avila não quis falar em nomes. “Seria importante que o coordenador da campanha fosse alguém que não vai disputar mandato. Seria algo muito difícil conciliar uma eleição com coordenação da campanha.” 

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