Dirigentes próximos de Lula anunciam ruptura do PT com Campos no Estado

Cúpula petista em Pernambuco se posiciona, defende que 25 cargos no governo sejam entregues e caminha para se aliar ao PTB estadual para derrotar grupo do governador; ala do partido resiste ao rompimento, mas anúncio oficial será nesta semana

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2013 | 02h11

RECIFE - As principais lideranças do PT em Pernambuco anunciaram nesse domingo, 13, que o partido entregará os cargos ocupados no governo Eduardo Campos (PSB). O grupo segue orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer um distanciamento do governador, provável candidato à Presidência com apoio da ex-ministra Marina Silva. A posição foi tomada pelo senador Humberto Costa, pelo deputado federal João Paulo e pelo atual presidente estadual da sigla, deputado federal Pedro Eugênio, mas parte dos petistas é contra a ruptura.

Um anúncio oficial do PT, porém, só será feito nesta semana. O grupo do ex-prefeito do Recife, João da Costa, e do presidente do diretório municipal, Oscar Barreto, defende a manutenção dos cargos, sem ruptura com o PSB pernambucano.

"Nos antecipamos para defender nossa posição dentro do partido", afirmou Humberto Costa. Segundo ele, a partir do momento em que o PSB de Eduardo Campos entregou os cargos que tinha no ministério da presidente Dilma Rousseff, não faz mais sentido manter os cargos do PT no Estado. "De lá para cá as coisas ficaram cristalizadas e não faz mais sentido estar dentro do governo de Eduardo", afirmou o senador, ao citar a aliança de Campos com Marina Silva e o programa nacional do PSB com críticas ao governo Dilma Rousseff.

Aproximadamente 25 cargos serão entregues, a maioria na área da saúde, onde o PT tinha a secretaria executiva. O PT controlava as secretaria de Cultura e Agricultura. "Foi um gesto político", disse João Paulo.

Prioridade. Segundo Costa, a prioridade do partido, depois da definição do PT estadual em relação ao PSB, será a organização de forças para dar sustentação à reeleição da presidente. Para o senador, ainda é cedo para saber se o PT terá candidato próprio ao governo de Pernambuco ou se apoiará a provável candidatura do senador Armando Monteiro Neto (PTB), que deixou o governo Campos na última sexta-feira, alegando a mesma razão dada pelo governador ao sair do governo federal: para ficar mais à vontade.

Monteiro Neto trabalha para consolidar sua candidatura ao governo estadual com o apoio do PT. O deputado federal João Paulo acredita que a tendência será se aliar ao petebista.

Estranha inimizade. Para o primeiro-secretário nacional do PSB, Carlos Siqueira, o PSB não pode ser tratado pelos petistas como inimigo por conta do projeto presidencial de Campos. "É estranho ser tratado como inimigo. Diferentemente deles, não vemos o PT como inimigos. Essa visão (de isolar o PSB nos Estados, defendida por Lula) é fundamentalista e autoritária." Ele admite, porém, problemas na aliança estadual: "A saída dos secretários já era esperada. A relação do PT com o PSB em Pernambuco estava tumultuada desde 2012". "Em outros Estados o PSB e o PT continuarão juntos. No Espírito Santo, eles apoiam o (Renato) Casagrande. No Acre também devemos estar juntos", pontuou Siqueira.

Pesquisa. O senador Humberto Costa achou "muito boa" a aprovação da presidente na última pesquisa do Datafolha. A petista venceria Campos ou Aécio Neves (PSDB) no 1.º turno. "É natural que a superexposição tenha feito Eduardo crescer (de 8% para 15%)", disse. / COLABOROU PEDRO VENCESLAU

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