Dirigente do PSB apontava 'fundamentalismo' na Rede

Número 2 do partido e ex-colega de Esplanada de Marina revê posição e afirma que 'só amebas e mármore não mudam'

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h12

Assim que a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva começou a articular a criação da Rede Sustentabilidade, o vice-presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, classificou o novo partido como "fundamentalista, religioso e preconceituoso". Nessa segunda-feira, 7, após a filiação dela ao PSB no fim de semana, Amaral afirmou ao Estado que mudou de ideia e diz, agora, reconhecer a importância da Rede.

"Essa era a minha avaliação naquela época. Mas só as amebas e as pedras mármores é que não mudam", afirmou.

Em fevereiro, o dirigente do PSB afirmou ter pouco conhecimento sobre o movimento político orquestrado por Marina, mas fez duras críticas à nova legenda. "Ainda não tive muita informação, mas até aqui é um negócio fundamentalista, religioso e preconceituoso. Ainda não vi política nele", disse ao jornal Valor Econômico.

A declaração foi dada no momento em que Amaral chegava à festa de dez anos do PT no comando da Presidência da República, em São Paulo. O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, já articulava a sua candidatura ao Palácio do Planalto e preferiu mandar um representante, em vez de comparecer ao evento de comemoração.

Divergências. Para Amaral, o fato de divergir das ideias defendidas por Marina não impede o diálogo e vai trazer contribuições importantes para o PSB.

"Acho que ela (Marina) vai nos ensinar muitas coisas com relação ao meio ambiente e também que ela vai aprender muita coisa com a nossa visão socialista", afirmou Amaral.

Para o dirigente do PSB, os atuais partidos não estão preparados para discutir a agenda da sustentabilidade e o grupo que acompanha a ex-ministra vai colaborar com essa discussão. "Acho que a Rede representa uma discussão que os partidos não estão sabendo travar, sobre a sustentabilidade. Então eu acredito que esse encontro (com o PSB) vai ser muito importante", disse.

Uma das condições para fechar o acordo entre Marina e Campos foi o PSB adotar como prioridade a defesa do desenvolvimento sustentável.

O dirigente defendeu que a filiação da ex-ministra do Meio Ambiente ao PSB "repara a injustiça" de a Rede não ter conseguido o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A vinda dela é uma coligação democrática. Ela e seus companheiros terão, pelo PSB, a possibilidade de se candidatarem em 2014."

Apesar de ter afirmado que a Rede possuía um caráter "religioso", Amaral afirmou não ver problemas no fato de Marina ser evangélica: "Nós já convivemos com fiéis. Há deputados do PSB que são evangélicos".

A assessoria da Rede disse que não ia comentar as declarações de Amaral de fevereiro.

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