Diretor nega que agência seja um 'cabide de empregos'

Andreu rebate acusações de Vieira sobre cargos e contratos com ONGs e diz que ex-diretor é 'mau caráter e delinquente'

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h06

O atual diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, rebateu ontem a acusação de que o órgão seria um "cabide de empregos" que tem "gastos com ONG, sem licitação", como afirmou o ex-diretor Paulo Vieira ao Estado.

Andreu disse que a agência tem hoje 71 cargos comissionados - 37 ocupados por pessoas de fora do serviço público e três nomeados a partir de 2010, quando o atual diretor-presidente assumiu o cargo. Ao Estado, ele disse receber salário de R$ 11.500, mais ajuda de 25% para moradia. "Os demais salários de quem não é do serviço público estão abaixo desse valor."

Andreu disse que foi indicado pelo então titular do Meio Ambiente, Carlos Minc, negando a afirmação de Vieira que o apontou como apadrinhado do ex-ministro José Dirceu. "Nunca fui dirigente da CUT, como ele disse. Já fui do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, filiado à CUT, e estava na Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, quando o ministro Minc me indicou", afirmou. "Conheço José Dirceu porque sou antigo militante do PT. Sou amigo dele como todos os militantes do partido. Dirceu deve ter sido informado da minha nomeação quando eu já estava aqui."

Andreu destacou que o orçamento anual da ANA para projetos e investimentos é de R$ 226 milhões, oriundos basicamente de cobranças do setor elétrico. Os recursos de contratos com ONGs correspondem a um porcentual "ínfimo" desse valor, segundo ele. A folha salarial é de R$ 365 milhões anuais.

Andreu disse que, ao chegar à ANA, Vieira foi "agressivo" e tentou sem sucesso chefiar a Diretoria de Regulação e Fiscalização, recorrendo até à ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha. "Ele dizia: 'Vou falar com a Rose, a agência não é de vocês'", afirmou Andreu. Ele disse que Rose esteve na agência, mas nega relação com ela.

"Ele (Vieira) nunca pautou nossas decisões na agência. Não há nenhuma outorga, portaria ou nota fiscal da ANA sob investigação", disse. "Pensei que ele teria coragem de falar a verdade (após a Operação Porto Seguro). Agora, meu sentimento é de indignação. Ele é um delinquente, mau caráter."

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