Dirceu roda mais de 14 mil km para afirmar inocência

Ex-ministro já visitou 16 cidades em 14 Estados para reclamar do suposto caráter político de sua condenação no caso do mensalão

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h06

Condenado a dez anos e dez meses de prisão no julgamento do mensalão, o ex-ministro José Dirceu já percorreu mais de 14 mil quilômetros para bradar sua inocência pelo País. Desde novembro, quando o tamanho de sua pena foi definido pelo Supremo Tribunal Federal, Dirceu foi a 16 cidades, em 14 Estados. Na média, o petista participou de mais de um ato de desagravo por semana.

A decisão de rodar o Brasil para se defender da alcunha de chefe da quadrilha do mensalão veio com a hesitação do PT em se mobilizar mais firmemente a seu favor. Abandonado pela cúpula petista, que preferiu dar o assunto por encerrado, o ex-ministro se voltou para as bases do partido para fazer, como ele costuma dizer, "o julgamento do julgamento" e denunciar o suposto caráter político da sua condenação.

Dirceu tem viajado a convite dos diretórios locais de cada cidade ou Estado, mas é ele quem arca com as despesas dos deslocamentos. Os eventos são geralmente organizados por integrantes da sua corrente dentro do partido, a majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB). Em clima de festa, o ex-ministro é sempre recebido pelos militantes aos gritos de "Dirceu, guerreiro, do povo brasileiro".

Condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha, o petista costuma seguir o mesmo roteiro em todas as viagens: faz críticas aos ministros do STF, diz que foi condenado sem provas e afirma que vai recorrer da condenação em cortes internacionais.

Durante seus discursos, Dirceu também evita usar o termo "mensalão". Prefere o nome técnico: Ação Penal 470. Em sua passagem por Belo Horizonte, em janeiro, afirmou que o caso não deveria ter esse nome, mas sim ser chamado de "mentirão".

Nesses encontros com a militância, também já relatou que está se preparando para o pior, ou seja, para cumprir a pena em regime fechado. No entanto, tem se recusado a falar sobre a possível prisão. Em visita a Fortaleza, no início do mês, não quis comentar a afirmação do presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, de que os condenados poderiam ir para a cadeia até julho. "Deus me livre (de falar a respeito)!", disse.

Prisão. José Luís de Oliveira Lima, advogado do petista, afirma não acreditar que uma eventual prisão vá acontecer no prazo estimado por Barbosa. Segundo ele, a expectativa é que o STF publique o acórdão - a versão por escrito das decisões do julgamento - somente no mês quem. Depois, a defesa ainda vai apresentar os recursos cabíveis. E, somente após o julgamento desses recursos, é que a prisão de Dirceu, e dos demais condenados no caso do mensalão, deve ser decretada pela Justiça.

Enquanto o mandato de prisão não é expedido, o ex-ministro petista planeja continuar o seu périplo pelo Brasil. Ele pretende visitar os Estados pelos quais ainda não passou. Convites para falar à militância petista não faltam, segundo a assessoria de Dirceu. O calendário das próximas viagens ainda não foi definido, mas a caravana deve ser retomada em abril.

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