Dirceu diz que mídia ataca políticos para evitar regulação

Em encontro que pediu anulação do julgamento do mensalão, ele afirma que acuar Congresso é meio de chegar a um golpe

FELIPE WERNECK / RIO , O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2013 | 02h04

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 10 anos e 10 meses de prisão por corrupção ativa e formação de quadrilha, o ex-ministro petista José Dirceu afirmou ontem que meios de comunicação monopolizados atacam a classe política para evitar a regulação da mídia no País. "É o caminho das ditaduras, uma tentativa de desmoralizar a política, os políticos e o Congresso", discursou Dirceu durante ato "Pela Anulação do Julgamento do Mensalão" no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Rio.

Segundo Dirceu, a divulgação "desequilibrada" de escândalos políticos pela mídia tem o objetivo de "manter o Congresso de joelhos". "No dia em que o Congresso não tiver medo da Globo, da mídia, faz a regulação", discursou. O ex-ministro incitou a plateia de cerca de 600 pessoas a lutar contra o que chamou de "ofensiva contra o companheiro Lula e o governo Dilma". Segundo ele, manter o Congresso acuado é "uma forma de criar condições para amanhã dar um golpe ilegal".

O ex-presidente do PT se disse vítima de uma campanha da imprensa "como se tivesse enriquecido no governo Lula e com o mensalão". Dirceu também atacou o STF, afirmando que um ministro do Supremo não fala em nome da nação. "Quem fala é a presidenta e o Parlamento."

Para ele, o julgamento colocou em risco e violou não apenas direitos individuais, mas a democracia. O ex-ministro disse que se trata de uma "luta longa que está só começando" e que vai percorrer "todo o Brasil" para mostrar que, segundo afirma, não houve direito de defesa no julgamento. "Pode ser regime fechado, segurança máxima ou solitária, mas não vou me calar", concluiu, referindo-se à sua pena e ao périplo que iniciou pelo País. "Precisamos enfrentar a ofensiva que a direita está fazendo contra o nosso projeto político."

'Pangarés'. Dirceu chegou ao prédio acompanhado do cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Seu discurso foi antecedido por palestras de um advogado, três jornalistas e dois sindicalistas que contestaram o resultado do julgamento do Supremo.

Sentado na primeira fila, de bermuda e sandália, o militante petista e ex-dirigente do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, também condenado pelo STF, chorou quando teve seu nome citado. Sua mulher, Andréa Haas, levantou-se e declarou: "Somos pangarés que ajudaram a eleger o Lula. Sempre trabalhamos pelo PT e pedimos que não sejamos esquecidos, como até hoje fomos. Queremos que os ministros do STF revejam os erros que cometeram. Isso é contra a democracia."

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