Dilma vê em projeto modernização do serviço público

Consultoria recebe críticas nos bastidores, mas tem respaldo da presidente; relatórios parciais já foram apresentados ao governo

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 03h12

Nos bastidores, a McKinsey & Company recebe críticas de servidores de carreira, diplomatas e até industriais que participam de reuniões com o governo federal devido ao acesso dos consultores a informações sensíveis, mas o trabalho tem respaldo da presidente Dilma Rousseff, que trata o projeto com a consultoria como uma necessidade do processo de modernização do serviço público.

No Palácio do Planalto, os funcionários da consultoria já apresentaram relatórios parciais, mas ainda não finalizaram as ferramentas de monitoramento para alguns programas de governo. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as obras de infraestrutura previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no projeto habitacional Minha Casa, Minha Vida, as ações sociais do Brasil sem Miséria e alguns projetos dos ministérios da Saúde e da Educação serão os primeiros a contar com monitoramento em tempo real.

Fontes próximas a Dilma defendem a atuação da consultoria. Dizem que a McKinsey possui experiência e conhece boas práticas de gestão dos setores público e privado nacional e estrangeiros. Na Casa Civil haveria uma espécie de "muralha chinesa" separando os consultores da área que formula políticas públicas. Os consultores teriam acesso apenas a dados públicos e já divulgados pelo governo.

Núcleo. Os representantes da McKinsey envolvidos no projeto, por exemplo, fariam parte de um núcleo que trabalha apenas com governos, altamente profissional em relação a dados e informações da administração pública e exigências da presidente. Na semana passada, os consultores apresentaram uma versão preliminar do sistema de monitoramento. A intenção de Dilma é permitir à subsecretaria de Articulação e Monitoramento (SAM) da Casa Civil a fiscalização diuturna dos programas prioritários. Quando era titular da pasta, Dilma tinha na SAM a atual ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

De acordo com uma fonte palaciana, a relação do governo com a consultoria lembra a de uma corrida. O Planalto define o modelo do carro, o trajeto, a velocidade e o destino final, enquanto a consultoria faz às vezes de velocímetro, informando ao condutor somente o ritmo de deslocamento.

Indicadores. Como a Casa Civil não pode reproduzir o trabalho de todos os ministérios, torna-se necessário criar indicadores de desempenho das políticas públicas, conforme esse raciocínio. Aí entraria a McKinsey, identificando que ações específicas indicam o andamento do projeto. Uma outra hipótese: o governo definiria uma meta de dobrar a produção de pescado. Para isso, construiria portos, capacitaria pescadores, ofereceria subsídio de combustível para os barcos e cortaria impostos das embarcações. A Casa Civil não precisaria acompanhar todas as ações. Com um programa de computador, a McKinsey monitoraria a meta física (obras), as exportações de peixe e consumo interno. / I.D.

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