Dilma vai trocar cúpula do Dnit em 6 Estados

Por ineficiência, superintendentes deverão perder seus postos em Minas, Goiás, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2012 | 03h05

Fonte de tensão entre o Planalto e aliados, a "faxina" em postos-chave do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), desencadeada no ano passado após denúncias de cobrança de propina, não acabou. O governo prepara a troca de mais seis superintendentes regionais da autarquia, ligados a partidos da base de apoio à presidente Dilma Rousseff ou cujas gestões são consideradas ineficientes.

Nos próximos dias, deve ser oficializada a saída de Sebastião Donizete de Souza, que comanda o Dnit em Minas. O engenheiro foi indicado pelos deputados federais mineiros do PR - partido que detinha o comando da autarquia até a crise - e seu desempenho não tem agradado ao governo.

O argumento é que projetos importantes para o Estado, que tem a maior malha rodoviária do País, não caminharam na velocidade desejada. É o caso da duplicação da BR-381 e da reforma do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, ambas ainda no papel. São cotados para assumir o cargo os engenheiros Alexandre Oliveira, que trabalha na superintendência em Contagem; e Marcelo Chagas, da Diretoria de Infraestrutura Ferroviária, em Brasília.

No Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Nogueira - que sucedeu interinamente ao ex-governador Marcelo Miranda, exonerado da superintendência por envolvimento em supostas irregularidades - também deve deixar o cargo em breve, dando lugar ao engenheiro José Luiz Viana, servidor de carreira do Ministério dos Transportes.

Os pedidos de exoneração foram enviados à Casa Civil, que precisa dar aval à saída dos superintendentes, a ser oficializada em portaria do ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes).

O governo avalia também a troca dos superintendentes em mais quatro Estados. Um deles é o Rio Grande do Sul, onde a função vem sendo desempenhada por Vladimir Roberto Casa, ligado ao petista Hideraldo Caron, ex-diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, que deixou o cargo em meio à crise do ano passado. Outra mudança ocorre no Ceará, onde deve sair José Abner de Oliveira Filho, por suposta insatisfação com o andamento das obras no estado.

No Maranhão, o visado é Gerardo de Freitas Fernandes, primo do deputado Pedro Fernandes (PTB), secretário das Cidades no governo Roseana Sarney (PMDB). Segundo fonte ligada ao Planalto, um dos motivos é a execução do projeto de duplicação da BR-135. Em função da baixa qualidade do projeto, o governo teve de anular a licitação para as obras.

Em Goiás, deve ser mudado o superintendente Alfredo Soubihe Neto, casado com uma prima do ex-líder do PR na Câmara, Sandro Mabel, que foi para o PMDB. A indicação teve o aval dos dois partidos, segundo o parlamentar. A avaliação do governo é que, no Estado, foram feitas obras caras e desnecessárias.

"É um dos superintendentes mais competentes que há hoje no País. Está duplicando estradas em tempo recorde", protesta Mabel. Questionado se o governo causará atrito com a exoneração, ele reage: "Esse pessoal não está preocupado em criar tensão".

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