Dilma turbina o 'grande ministro' Haddad na saída

Presidente viaja mil km e inaugura creche com o candidato do PT à Prefeitura, que deixa a pasta

WILSON TOSTA, ENVIADO ESPECIAL , ANGRA DOS REIS, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2012 | 03h07

De saída da Educação para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PT, o ministro Fernando Haddad transformou-se ontem no centro de uma sessão de elogios à sua gestão capitaneados pela presidente Dilma Rousseff durante a inauguração de uma creche no pequeno distrito de Bracuí, em Angra dos Reis, no Rio - município que fica a 392 quilômetros da capital paulista que Haddad quer administrar.

"Grande ministro" e "melhor ministro da Educação do período democrático" foram algumas das expressões que marcaram os discursos de Dilma e do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que comparou o petista a educadores como Anísio Teixeira e Gustavo Capanema. O próprio Haddad, em seu rápido pronunciamento, fez um breve - e positivo - balanço da sua gestão e bateu em uma possível bandeira de campanha: a da igualdade de oportunidades.

"O ministro Fernando Haddad, um dos grandes ministros deste País na área da Educação, viu que a educação tinha de começar e tinha de ter importância desde a criança nascer. Quando ele cunhou a frase de que a educação é um projeto da creche à pós-graduação, passando pelo ensino básico, pelo ensino técnico, pela universidade e pela pós, ele cunhou uma coisa importantíssima para o Brasil, que é o caminho da igualdade de oportunidades", discursou Dilma.

A presidente se atrasou uma hora e meia para a cerimônia, por causa do mau tempo em Brasília, mas voou mais de mil quilômetros para inaugurar o Centro Municipal de Educação Infantil Júlia Moreira da Silva. Ao discursar, Dilma agradeceu a Haddad por "jamais ter falado" que é melhor apostar apenas no ensino superior ou só na educação básica.

Haddad reconheceu em seu discurso que já existem mais de 500 creches semelhantes, entregues pelo ministério que comanda, e "agradeceu o gesto" de Dilma comparecer à inauguração. "Eu não tinha tido a felicidade de visitar um equipamento em funcionamento", disse. O ministro afirmou que as creches atenderão 1,5 milhão de crianças de zero a 5 anos de idade, "que terão direito à educação desde a primeira infância".

Citou em seguida medidas de sua gestão em outros níveis do setor, mas lembrou a "dívida" do governo com a educação infantil (creche e pré-escola). No discurso, também citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o nomeou ministro e recentemente impôs a sua pré-candidatura ao PT paulistano.

"É cuidando desde cedo que a gente tem condição de garantir igualdade de oportunidades para todos os brasileiros", afirmou. "O que queremos é que todo jovem brasileiro tenha direito a pelo menos uma de duas oportunidades: ensino técnico no nível médio ou ensino superior."

Cabral manifestou "tristeza" pela saída de Haddad. Afirmou que "uma coisa é ser ministro do Estado Novo (ditadura de Getúlio Vargas de 1937 a 1945), outra é ser ministro de Estado com instituições, como imprensa e Ministério Público, livres. "(Haddad) É o melhor ministro (da Educação) em período democrático. O melhor ministro da Educação que o Brasil já teve." Dirigindo-se ao petista, afirmou: "No Rio, você tem 16 milhões de admiradores".

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