Dilma troca comando das Mulheres

Depois de protagonizar algumas polêmicas à frente da secretaria, Iriny Lopes cede lugar à socióloga Eleonora Menicucci

RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h08

A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem a troca de comando na Secretaria de Políticas para as Mulheres: sai Iriny Lopes, pré-candidata à Prefeitura de Vitória (ES), entra a socióloga e professora Eleonora Menicucci de Oliveira, ex-companheira de cárcere da presidente Dilma, conforme antecipado pelo Estado.

Em nota divulgada ontem pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Dilma agradeceu protocolarmente a "relevante contribuição" de Iriny ao governo e desejou sucesso à nova ministra.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, no entanto, a sinalização é a de que a presidente estaria insatisfeita com a atual gestão da pasta.

Iriny Lopes estrelou uma polêmica no ano passado, quando solicitou a suspensão de uma propaganda de lingerie estrelada pela modelo brasileira Gisele Bündchen sob a alegação de que a peça publicitária reforçava o estereótipo da mulher como objeto sexual.

Sua pasta também envolveu-se em falhas na organização da 3.ª Conferência Nacional de Políticas Para as Mulheres, realizada em Brasília em dezembro do ano passado. Na ocasião, a própria presidente demonstrou irritação com o fato de algumas participantes terem enfrentado problema com hospedagem e alimentação durante o evento.

O anúncio da nova ministra foi feito no final da tarde de ontem, logo depois da cerimônia de posse do novo ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro. A posse de Eleonora deve ocorrer nesta sexta-feira.

Currículo. Eleonora foi presa, torturada no DOI-CODI de São Paulo e conviveu com Dilma na chamada Torre das Donzelas do presídio Tiradentes, que recebeu prisioneiras políticas do regime militar.

Como a presidente, a nova ministra recomeçou a vida ao deixar a prisão, em 1973, indo viver na Paraíba. Socióloga, professora titular de saúde coletiva e pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seu currículo inclui doutorado em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado na Universidade de Milão em saúde e trabalho das mulheres.

Com a mudança ministerial, Dilma deseja dar ainda mais visibilidade à questão feminina, que tem sido um dos temas centrais da sua política de governo, tanto em discursos quanto na própria distribuição de cargos.

Ao deixar a Esplanada dos Ministérios, Iriny Lopes poderá concentrar as atenções no tabuleiro político capixaba e trabalhar as alianças antes do prazo de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições municipais em outubro deste ano.

Antes dela, o petista Fernando Haddad deixou o Ministério da Educação para tocar a campanha pela Prefeitura de São Paulo.

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