Dilma sugere que trocará Mantega se vencer eleição

Ao ser questionada sobre ministro da Fazenda, presidente responde: ‘Governo novo, equipe nova’

Mateus Coutinho - Enviado especial a Fortaleza e Ângela Lacerda, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2014 | 00h33

Após visitar um condomínio residencial do Programa Minha Casa Minha Vida, em Fortaleza, a presidente da República e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, voltou ontem a afirmar que em um eventual segundo mandato haveria mudanças em sua equipe de governo, mas evitou responder quais ministros trocaria. “Eleição nova, governo novo, equipe nova, agora só não faço uma coisa, não nomeio ministro em segundo mandato”, disse ao ser questionada sobre o futuro do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A presidente tem recebido críticas pela manutenção do chefe da política econômica do governo. Anteontem, em Belo Horizonte, diante da pressão ocasionada pelo avanço de Marina Silva (PSB) nas pesquisas, ela disse pela primeira vez que, em um eventual segundo mandato, faria “atualizações das políticas” e das “equipes” do seu governo.

“Não fui eleita, como saio por aí nomeando ministros?”, questionou ela ontem, afirmando ainda que acredita “dar azar” nomear ministros antes de ser eleita. “Não sei se você lembra quando sentaram na cadeira antes da eleição, eu não falo nisso sabe por quê? Acho que dá azar”, provocou, referindo-se, sem mencionar nomes, à eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 1985, quando Fernando Henrique Cardoso sentou na cadeira do prefeito e depois perdeu para Jânio Quadros.

‘Cara de pau’. À noite, Dilma foi dura ao criticar Marina Silva (PSB), sem citar o nome da adversária, em comício no Recife, no bairro de Brasília Teimosa, para um público estimado em mais de 20 mil pessoas, segundo os organizadores, evento que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vamos ter de entender que a verdade vai vencer a mentira, a desinformação e a cara de pau, porque tem muita cara de pau por aí”, afirmou.

Marina foi novamente atacada quando a presidente criticou os “que viram a casaca” e “dizem uma coisa hoje e outra amanhã”. Ela também fez menção à frase dita pelo ex-governador e ex-presidenciável Eduardo Campos (PSB) na noite anterior à sua morte, no dia 13 de agosto, “não vamos desistir do Brasil”. “Não desisti do Brasil nem quando fui presa e torturada, porque este País é muito maior que um bando de ditadores”, disse aos gritos da multidão de “Dilma guerreira do povo brasileiro”.

Ainda referindo-se à Marina, Dilma disse que “não mudamos de lado, nem de compromisso”, destacou, ao observar que para fazer um programa de governo, “tem que fazer, tem que teimar, não desistir, ter convicção e enfrentar os pessimistas”.

Dilma ainda condenou “a receita que quebrou o País por três vezes” e seria seguida pelos adversários. “Não podemos aceitar os que negociam o emprego e o salário numa pretensa, numa falsa política, sem sustentação, para enganar a população e dizer que é isso que vai recuperar o Brasil”, afirmou. “Simples a receita: desemprega, diminui salário, aumenta tributos”, disse ela ao destacar que não aceita este modelo.

No seu discurso, ela reiterou que “todos os que colocam o pré-sal sob suspeição e falam que não tem que ser prioridade” estão contra a implantação dos estaleiros em Pernambuco, não querem que o País mude a educação e pague melhor os professores.

Maior atração do comício, Lula afirmou que a maior diferença entre a presidente Dilma e a “oposição que não tem a responsabilidade de governar” é que ela, no cargo de presidente, não tem que achar, não tem que pensar, nem tem que acreditar, ela tem que fazer e fazer e fazer”.

Depois de pregar a reeleição da candidata, que chamou de “moça” e “jovem”, que representa “o futuro” e foi responsável, com ele, de uma revolução na educação no Brasil e de enfrentar uma crise econômica internacional criando mais de cinco milhões de empregos com carteira assinada, Lula pregou a realização de uma reforma política. “A principal que se precisa fazer no País”, disse, ao pedir a todos para antes de deixarem o local, ao final do evento, votar se aprova – ou não – uma assembleia nacional constituinte exclusiva para a reforma política, em um posto de coleta de um projeto que recolhe assinaturas pelo País para apresentar um projeto de lei sobre o tema no Congresso.

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