Dilma se reconecta para evitar erros de 2010 e manter popularidade em alta

A presidente Dilma Rousseff colocou em prática ontem a estratégia de comunicação digital para as eleições de 2014 e lançou um novo portal com todos os serviços do governo federal, uma página do Palácio do Planalto no Facebook e uma conta no Instagram. Também foi reeditada a conta do Twitter da presidente, desativada desde 2010.

LISANDRA PARAGUASSU / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h01

O principal motivo de toda essa operação foi melhorar a comunicação na internet após as manifestações de junho, quando o governo não foi capaz de detectar a insatisfação e a mobilização popular. Como consequência, a popularidade da presidente desabou. Outra razão é a experiência petista nas eleições de 2010. Uma cruzada virtual emparedou a então candidata petista, que circulou na rede como defensora do aborto.

Apesar de ter quase 2 milhões de seguidores na rede de microblogs, a presidente havia abandonado seu perfil em dezembro de 2010, após ser eleita. O Planalto tem uma página e um blog, mas o governo admite que usa mal as redes sociais.

Durante as manifestações de junho, quando boa parte dos protestos foi marcada usando justamente as redes sociais, o distanciamento do governo ficou mais claro. Foi preciso colocar a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar as redes e tentar prever onde surgiriam novos atos. O governo concluiu que faltava uma interlocução com a juventude.

Fale com ela. Coordenado pelo porta-voz da Presidência, Thomas Traumann, e por Valdir Simão, que foi secretário executivo do Ministério do Turismo, o "Gabinete Digital" pretende abrir um canal para discutir as políticas públicas com a população. Será criada a sessão "Fale com a Presidente". Uma equipe responderá, em nome de Dilma, aos internautas.

"Queremos construir uma prática sistemática de ouvir as ruas, de ouvir o que querem as universidades, de ouvir o que querem as pessoas das cidades e do campo e também ouvir as redes sociais. É preciso ter com as redes sociais uma interação", afirmou a presidente no lançamento do projeto. "É um processo de melhoria da qualidade do serviço e do grau de informação para criticar, apresentar sugestões ou para intervir", disse Dilma Rousseff ontem.

Para Valdir Simão, o gabinete será uma tentativa de aproximar o governo da sociedade brasileira. Traumann declarou que "é uma maneira de a sociedade interferir no que o governo está fazendo, não apenas depois". "É preciso saber ouvir e responder as demandas da sociedade", disse o porta-voz. O Gabinete Digital contará com cerca de 20 funcionários.

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