Dilma rejeita acordo com oposição para a DRU

Presidente rechaça a proposta de prorrogar a desvinculação das receitas da União por apenas 2 anos e não 4

DENISE MADUEÑO , EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2011 | 03h05

Com o argumento de que a crise econômica mundial é complexa e pode durar mais de dois anos, a presidente Dilma Rousseff rejeitou ontem a proposta da oposição de prorrogar a Desvinculação das Receitas da União (DRU) apenas até 2013. Irredutível, Dilma insistiu na vigência do mecanismo que permite movimentar 20% das receitas federais por quatro anos. Aliados consideraram a posição da presidente um "erro" e apostavam, ontem à noite, que ela será obrigada a fazer um acordo se quiser ter a DRU aprovada este ano.

A emenda constitucional com a prorrogação da DRU começou a ser votada ontem e a previsão era que dificilmente seria concluída na madrugada de hoje. O acordo rejeitado por Dilma previa que, em troca da redução do prazo de vigência da DRU, os deputados aprovariam a emenda em rito sumário em primeiro e segundo turnos até hoje.

Sem acordo, a oposição tentou atrasar a votação, usando todos os instrumentos regimentais de obstrução. Para aprovar a DRU, os deputados da base teriam de permanecer no plenário durante a madrugada.

"A presidente está preocupada com a repercussão da crise internacional no Brasil. E dois anos é pouco; a DRU é um instrumento importante em um cenário de crise", argumentou o relator da proposta, deputado Odair Cunha (PT-MG). "Para a oposição, os quatro anos para a DRU são inaceitáveis", reagiu o líder do DEM, ACM Neto (BA).

Apelos. Para garantir uma votação tranquila, os aliados tentaram convencer a presidente Dilma a ceder à proposta do PSDB, DEM e PPS de prorrogar a DRU por apenas dois anos. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foram até o Palácio do Planalto e reuniram-se no início da noite de ontem com Dilma.

Apesar dos apelos, Dilma recusou o acordo e insistiu nos quatro anos para a DRU. "A aprovação da DRU se insere na política de enfrentamento da crise mundial. Não podemos permitir que o Brasil vacile neste momento", argumentou Maia, depois de ter fracassado junto a presidente.

Para aprovar a DRU, o governo acelerou a liberação de verbas das emendas de parlamentares ao Orçamento deste ano. A avaliação ontem à noite era que a base deveria aprovar a prorrogação da DRU até 2015 sem problemas. Se a proposta não for prorrogada, a DRU será extinta em 31 de dezembro deste ano. De acordo com dados do governo, a aprovação da proposta permitirá a desvinculação de recursos da ordem de R$ 62,4 bilhões.

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