André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Dilma rechaça tese do ‘3º turno’ e propõe diálogo como lema

Em entrevistas na TV, presidente reeleita afirma que no próximo mês anunciará medidas para tentar melhorar o crescimento da economia

Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

27 de outubro de 2014 | 20h25

Atualizada às 23h20

Em suas primeiras entrevistas depois de ser reeleita para mais quatro anos de governo, a presidente Dilma Rousseff rechaçou a possibilidade de um “3.º turno” da disputa política e disse que o momento é de união de todos os brasileiros e diálogo, inclusive com setores que não a apoiaram, para a realização das reformas estruturais que o país precisa. E afirmou que vai anunciar até o fim do ano medidas para “transformar e melhorar o crescimento da economia”.

“Eu externei ontem (domingo) que não ia esperar a conclusão do meu primeiro mandato para iniciar ações no sentido de transformar e melhorar o crescimento da nossa economia.” Ela disse que pretende colocar “de forma muito clara” as medidas que pretende tomar. “Agora, não é hoje”, afirmou durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo. “No mês que se inicia na semana que vem”, disse ela, quando questionada quando seria o anúncio.

Ao Jornal da Record, a presidente defendeu a união entre os segmentos da sociedade para a garantia de um futuro melhor para o País e a abertura de um diálogo amplo com todas as forças produtivas, sociais e o setor financeiro. “A partir de agora o clima é de construção de pontes e não de buscar a diferença entre as pessoas.” Segundo a presidente reeleita, não se trata de uma “unidade perfeita de ideias nem tampouco de ação monolítica conjunta”, mas de ouvir os diferentes segmentos e cotejar ideias. 


3.º turno. Diante da reação negativa de setores da oposição que prometem não dar trégua à Dilma no segundo mandato, a presidente rechaçou a possibilidade de um “3.º turno” eleitoral. “Não acredito porque quem tentar um 3.º turno estará fazendo um desserviço ao Brasil. Em um país democrático ganha a eleição quem conquista a maioria e foi isso que aconteceu”, afirmou.

Reforma política. Dilma sinalizou que no segundo mandato pretende insistir na proposta de plebiscito para implantar a reforma política, sua principal bandeira em reação às manifestações de junho de 2013. E citou alguns temas a serem discutidos, como o fim do financiamento de campanhas por empresas privadas e da reeleição. “Tudo isso tem que ser avaliado pela população. Acredito que o Congresso vai ter sensibilidade para perceber que isso é uma onda que avança.”

Petrobrás. Apesar do clima mais ameno que nas entrevistas durante a campanha, Dilma teve que responder questões sobre os desvios na Petrobrás investigados pela Operação Lava Jato. Ela afirmou não acreditar que as denúncias possam desestabilizar politicamente seu segundo governo. “Não acredito em instabilidade política em se prender corrupto e corruptores.”

“O que leva à crise são as suposições, ilações e insinuações”, disse ela, fazendo uma defesa das instituições. “Acho que a sociedade brasileira exige uma atitude que interrompa uma sistemática impunidade que ocorreu neste país ao longo da nossa história.” Dilma afirmou que não vai permitir que as denúncias sejam esquecidas após a eleição. “Vou investigar, vou me empenhar, doa a quem doer, não vai ficar pedra sobre pedra”, disse ela, dizendo-se indignada com o uso eleitoral do caso na última semana da campanha.

Ministério. A presidente reeleita demonstrou irritação ao ser questionada a possibilidade de nomear o presidente executivo do Bradesco para o Ministério da Fazenda. “Você está lançando um nome?”Citando a frase “governo novo, ideias novas” dita durante a campanha, ela indicou pretende fazer uma reforma ampla do ministério, e não apenas substituir Guido Mantega na Fazenda. “Eu gosto muito do Trabuco mas não acho que seja o momento nem a hora de discutir nomes. No tempo exato darei o nome e o perfil de todos meus ministros. Não vou só discutir um ministro, vou discutir todo o meu ministério”, disse Dilma.

São Paulo. Ao comentar a baixa votação que teve nos dois turnos em São Paulo, Dilma creditou o desempenho à desinformação dos eleitores em relação à crise hídrica. “Por que uma crise daquela proporção não se reflete na campanha eleitoral? Só posso atribuir ao fato de ela não ter sido iluminada. Os refletores não foram colocados na crise.”

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