Dilma recebe Lula e operação desidrata crise

Integrantes dos Poderes agiram para neutralizar a escalada de acusações no episódio envolvendo o ex-presidente Lula e o ministro do STF Gilmar Mendes

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2012 | 03h16

A presidente Dilma Rousseff comandou ontem uma operação para desidratar a crise envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um script bem encadeado, que mobilizou integrantes dos Três Poderes, foi posto em ação para neutralizar a escalada de declarações.

Ontem, o Planalto divulgou nota contestando reportagem do Estado sobre o assunto. Também em nota, o jornal manteve as informações (leia as íntegras abaixo).

A senha para a operação de serenar os ânimos foi dada pelo presidente da Câmara, o petista Marco Maia, que anteontem chegara a criticar Gilmar Mendes. Ontem, Maia sugeriu um "chá de camomila" aos exaltados. "O importante é que se passe uma borracha nesse episódio que não vai trazer problema para o Brasil. Temos que dar um chá de camomila a todos os envolvidos, principalmente neste momento em que se aproxima a votação (do mensalão) no STF", disse Maia.

Executivo. Preocupada em não fragilizar Lula, a presidente aproveitou um discurso durante solenidade de entrega da quarta edição do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio Brasil, no Planalto, para homenagear o ex-presidente.

"Processos e pessoas têm uma ligação íntima, as pessoas nos lugares certos e na hora certa elas mudam os processos e transformam a realidade e por isso queria, de fato, aqui fazer uma homenagem especial ao presidente Lula", afirmou Dilma, ao final do discurso, sendo interrompida por aplausos do público, que se levantou e gritou "Olê-olê-olê-olá, Lula, Lula".

O ex-presidente foi acusado por Gilmar Mendes de ajudar "bandidos" que querem melar o julgamento do mensalão no Supremo. "Faço essa homenagem pelo desempenho do presidente Lula em se comprometer no Brasil com a questão do desenvolvimento e da oportunidade para os mais pobres", reforçou Dilma.

Depois da cerimônia, ela recebeu Lula no Alvorada para um almoço e escalou os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, e Ideli Salvatti, de Relações Institucionais, além do líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) para um encontro no hotel onde se hospedou o ex-presidente. Na terça-feira, Dilma se encontrara por mais de uma hora com o presidente do STF, ministro Ayres Britto. Eles conversaram sobre a situação. Naquele mesmo dia, o ministro se encontrou com Gilmar. Havia temor de que Lula aproveitasse um evento público na Universidade de Brasília (UnB) para responder a Gilmar, que o apontara como centro irradiador de "boatos" contra ministros do STF para ajudar os réus do mensalão.

Lula, porém, não apostou na escalada da crise. "Vou falar de pé, porque senão podem dizer que eu estou doente. Pra evitar esses pequenos dissabores você sabe que tem muita gente que gosta de mim, mas tem algumas que não gostam. Eu tenho que tomar cuidado contra essas. São minoria, mas estão aí, né, no pedaço", disse, após palestra no 5º Fórum Ministerial do Desenvolvimento, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). / RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO, EDUARDO BRESCIANI, VERA ROSA

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