Dilma rebate crítica e cita R$ 3 bi para a Cultura

Na posse de Marta Suplicy, presidente destacou volume de recursos para 2013 em resposta a Ana de Hollanda, que reclamou de baixo orçamento da pasta

TÂNIA MONTEIRO, DENISE MADUEÑO, DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h14

Com promessas de turbinar o orçamento da Cultura, a presidente Dilma Rousseff deu posse ontem à senadora Marta Suplicy (PT-SP) no Ministério da Cultura, em substituição a Ana de Hollanda, que deixou o cargo depois de um longo processo de fritura. A presidente fez questão de destacar o volume de recursos destinados à pasta em 2013: R$ 3 bilhões, que podem se somar a outros R$ 2,1 bilhões, provenientes das leis de incentivo à cultura.

"Trata-se de um aumento de 65% em relação a 2012, um legado importante que Ana de Hollanda deixou para Marta Suplicy", discursou Dilma. A presidente, na verdade, respondia a uma crítica da ex-ministra, que se queixou em carta ao Ministério do Planejamento de risco à gestão na Cultura, por causa do baixo orçamento. Dilma afirmou que todos os gestores querem mais recursos e que não tem dúvidas de que merecem mais, mas que o governo já tem feito muito para o setor.

Em seu discurso, Marta pediu apoio aos parlamentares para aprovar no Congresso a criação do Vale-Cultura. Pela proposta, trabalhadores e servidores públicos federais que recebem até cinco salários mínimos receberiam R$ 50 para uso em atividades culturais. A proposta prevê que os aposentados tenham direito ao benefício, mas no valor de R$ 30.

A cerimônia, realizada no Palácio do Planalto, foi cheia de troca de elogios entre Marta e Ana de Hollanda. Dilma citou música do grupo de rock Titãs, para falar da importância da cultura para um País. "A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte."

Dilma lembrou dos produtores independentes e foi aplaudida. "Um produtor cultural independente pode ser uma grande indústria sofisticada."

Ao se referir a Marta, Dilma disse que a nova ministra, com seu "olhar não preconceituoso", será capaz de acolher diferentes manifestações na sociedade e levar à frente a área cultural. Ao encerrar o discurso, a presidente disse: "Peço a Deus e peço a você que coordene a área da cultura, trabalhe por ela e leve ela à frente".

'Não quero política'. Após a cerimônia, Ana de Hollanda disse ao Estado querer voltar a fazer música e ficar distante da política. A ex-ministra, que deixa a pasta em função de uma manobra que pode beneficiar o PT na eleição paulistana, desabafou: "Não quero mais saber de política".

Antes, ao discursar na cerimônia de posse de sua sucessora, Ana de Hollanda agradeceu Dilma por tê-la nomeado e respondeu aos críticos de sua gestão. A ex-ministra foi alvo de movimentos e protestos pela sua demissão. "Os diálogos com todas as comunidades estão muito positivos. Superamos um período que foi de desconfiança. Tenho certeza de que avançamos bastante", disse. "Dei tudo de mim e tive apoio de muita gente."

Em seu discurso, Marta acentuou que se orgulhava em trabalhar com Dilma: "Uma mulher forte, arretada e competente a quem tanto admiro". A nova ministra assegurou que deixará sua marca na gestão da Cultura.

Mais tarde, a presidente foi perguntada por uma repórter se, com ajuda da Marta na campanha e no ministério, ficava mais fácil o PT ganhar em São Paulo. Dilma respondeu: "Como você é viva".

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