Dilma quer tratar da regulação econômica da mídia num eventual segundo mandato

Dilma quer tratar da regulação econômica da mídia num eventual segundo mandato

"É um setor que como qualquer outro tem que ser regulado como portos, como elétrico, como petróleo", disse a presidente

REUTERS

26 de setembro de 2014 | 19h56

A presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição pelo PT, disse nesta sexta-feira que a regulação econômica da mídia será um dos temas de um eventual segundo mandato e que o país "está maduro" para isso, acrescentando que parte da mídia tem papel de oposição no Brasil e mesmo assim ela não pretende regular o conteúdo no setor.

"É um setor que como qualquer outro tem que ser regulado como portos, como elétrico, como petróleo", disse a presidente em entrevista a blogs independentes nesta sexta.

"É interessante que no Brasil muitas vezes tenta se confundir essa regulação econômica com controle de conteúdo, uma coisa não tem nada a ver com a outra", argumentou. "Controle de conteúdo é de país ditatorial, não de país democrático", acrescentou.

"Eu acredito que esse é um dos temas do meu (eventual) segundo governo", disse Dilma.

Segundo a presidente, a regulação econômica da mídia já consta da Constituição brasileira e tem que garantir que o setor não seja dominado por oligopólios e monopólios.

"Então, colocar na pauta que vamos regular os meios de comunicação do ponto de vista econômico, nós estamos falando que vamos impedir que relações oligopólicas se estabeleçam e se instalem e as existentes têm que ser modificadas", disse.

A regulação da mídia sempre foi uma bandeira do PT e Dilma foi pressionada pelo partido a encampar uma mudança legislativa para o funcionamento do setor desde 2011, mas ela evitou propor qualquer ação ao Congresso, deixando algumas alas do partido furiosas. Agora, a presidente parece ter sido convencida a adotar um novo marco regulatório para o setor.

OPOSIÇÃO

Apesar de garantir que não pretende regular o conteúdo nos meios de comunicação, a presidente disse aos blogueiros que considera o comportamento da mídia igual ao "de oposição" em alguns momentos.

"Tem uma parte da imprensa que é oposição", disse a presidente. "Essa história de imprensa ser oposição não é monopólio do Brasil...em vários países do mundo isso ocorre", relativizou a petista.

"Por isso, cheguei à conclusão de que minha campanha é a verdade para vencer a mentira", disse em relação à postura da mídia durante o processo eleitoral.

Questionada por blogueiros sobre a necessidade de ter uma postura mais ativa para confrontar as críticas da mídia caso seja reeleita, a presidente demonstrou que está disposta a isso.

"Eu acredito que terá que haver uma acuidade mais sistemática a partir de agora (no meu segundo mandato)", respondeu Dilma.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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