Dilma quer proteger área social de tesourada

Presidente se reúne com ministros para discutir corte no Orçamento de R$ 70 bi

LU AIKO OTTA, EDNA SIMÃO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2012 | 03h03

Para acelerar a economia neste ano eleitoral, a presidente Dilma Rousseff quer proteger da tesourada no Orçamento, que pode atingir R$ 70 bilhões, os programas que assegurem o emprego e, consequentemente, o consumo dos brasileiros. Até segunda-feira, Dilma quer finalizar a maratona de reuniões setoriais, iniciada ontem, com cada um de seus ministros, para eleger prioridades e definir quais programas poderão ser adiados.

A estratégia tem como objetivo facilitar o trabalho da equipe econômica na hora de bloquear recursos e enxugar as contas públicas sem que haja impacto negativo no crescimento. O governo busca uma expansão do PIB entre 4% e 5% este ano. Dilma abriu a "sabatina" com a área social - a começar pela ministra Teresa Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que cuida do Bolsa Família.

Na avaliação dos técnicos, o governo precisa investir mais - mas despesas desse gênero não devem ser atingidas pela tesoura governamental. A expectativa é que Dilma retome a prática de quando era ministra da Casa Civil, quando avaliava os programas em detalhe. Ela pretende evitar o que ocorreu no ano passado, quando muitos gastos em obras não saíram do papel por problemas de gestão - o que fez os investimentos encolherem. Foram R$ 41,9 bilhões em 2011, ante R$ 44,7 bilhões no ano eleitoral de 2010, segundo levantamento da organização Contas Abertas.

A "faxina" que atingiu o Ministério dos Transportes, segundo maior orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é um exemplo. A área, que tinha R$ 17,1 bilhões para gastar, encerrou o ano com desembolsos de R$ 12,8 bilhões, sendo que R$ 6,8 bilhões eram restos contratados no governo anterior. Do orçamento de Dilma, a pasta concluiu R$ 6 bilhões em investimentos no ano passado.

Mudança de governo. Outra causa para o desempenho modesto dos investimentos foi a mudança de governo. "Em 2010, os investimentos bombaram porque estávamos concluindo o PAC", explicou um assessor. "Em 2011, começou o PAC 2 e leva algum tempo até que se ganhe velocidade." Outra explicação é que os investimentos caíram no ano passado porque houve uma espécie de controle informal na boca do caixa. Para fechar com saldo positivo, o Tesouro teria segurado o dinheiro, mesmo tendo autorização para gastá-lo.

As reuniões setoriais servirão, segundo assessores do Planalto, também para preparar os espíritos das áreas que sofrerão maiores restrições. Esse é o dilema do momento no coração do poder: mais investimento ou maior superávit primário. Só dá para fazer os dois se a arrecadação crescer acima do esperado.

Nos últimos dias, aumentaram os rumores de que a área econômica estaria dividida - Guido Mantega defendendo o primário mais forte e o secretário executivo Nelson Barbosa querendo crescimento. Mantega estaria preocupado com o risco de se emitir um sinal errado, num momento em que países europeus enfrentam uma crise justamente por problemas nas contas públicas.

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