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Dilma promete não acabar com fator previdenciário se reeleita

Vice na chapa de Marina Silva havia dito que petista não tinha propostas para alterar "o quadro de penúria do aposentado brasileiro"

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2014 | 19h56

A presidente Dilma Rousseff disse que não vai acabar com o fator previdenciário se conquistar um segundo mandato nas eleições deste ano, durante entrevista coletiva em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira, dando a entender que quem está no cargo tem que ter preocupação com a responsabilidade fiscal.

Dilma dedicou a tarde ao tema mobilidade urbana fazendo pequena viagem entre as estações Santo Afonso e Fenac a bordo do trem metropolitano da Grande Porto Alegre e visitando o aeromóvel, que liga ao aeroporto Salgado Filho a outra estação do mesmo sistema, na capital gaúcha. À noite, a agenda previa participação em comício com o candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), que também busca a reeleição.

Na quinta-feira, também em Porto Alegre, o candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, Beto Albuquerque (PSB), havia acusado as candidaturas de Dilma e Aécio de serem "sócias do fator previdenciário" por não terem propostas para alterar "o quadro de penúria do aposentado brasileiro". Questionada por um jornalista, Dilma respondeu que não acabará com o fator previdenciário e depois passou às ponderações. "Não avaliei essa questão", informou. Na sequência, alegou que qualquer mudança na Previdência deve levar em conta o envelhecimento da população. "Sem isso, alguém falar 'vou acabar ou não vou acabar com o fator previdenciário' é uma temeridade", justificou. "Acho que quem falar que vai acabar tem que explicar como é que paga; um presidente da República tem a obrigação e a responsabilidade de explicar para a população que não está fazendo demagogia".

INFLAÇÃO E PROGRAMAS SOCIAIS

Ao mesmo tempo, Dilma tratou de garantir a manutenção dos programas sociais e das metas de inflação atuais. "É impossível você falar 'vou reduzir a meta da inflação' e não explicar o que faz com os programas sociais", comentou. "(Se) alguém falar 'vou reduzir a meta da inflação' no dia seguinte tem que cortar programa social", previu, afirmando que, de outra forma a equação não fecharia.

DESEMPREGO E TARIFAÇO

A presidente também foi lembrada de que a geração de empregos de julho, com saldo positivo de 11,8 mil vagas, foi a pior dos últimos 15 anos, e repetiu que somente na gestão atual foram criados 5,4 milhões de postos de trabalho, enquanto no mundo eram fechadas 60 milhões, graças à decisão que o governo tomou de não enfrentar a crise internacional pelas fórmulas recessivas tradicionais. No mesmo raciocínio, tratou de alfinetar os adversários políticos. "Antes, quando a crise batia, o real enfraquecia, havia aceleração do valor do dólar, (isso) provocava inflação, vinha o tarifaço que eles estão pregando", comparou. "Porque o modelo é sempre o mesmo, aí vinha o tarifaço, aumento de impostos, desemprego, arrocho salarial", emendou. "Nós não combatemos assim".

EMPREGO, USO ELEITORAL E NOTICIÁRIO NEGATIVO

Dilma afirmou que é óbvio que depois de um período inicial, "quando saímos do desemprego e começamos a crescer", a velocidade de geração de vagas caia porque há uma tendência ao equilíbrio. "Não há situação de desemprego", reiterou, referindo-se aos números ainda favoráveis, "mas é óbvio que tem uso eleitoral dos processos de flutuação". Ao voltar à questão eleitoral, a presidente reclamou do que seria a ênfase no noticiário negativo. "Quando é para cima ninguém anuncia muito, não; quando a inflação começou a cair eu não vi na primeira página do jornal 'a inflação está caindo'", destacou. "Por isso eu vou usar o meu período eleitoral para esclarecer a população", prometeu.

DILMA JUSTIFICA AGENDA CASADA E DIZ QUE VAI FALAR DO QUE FEZ

Ao justificar a série de viagens que fez nesta semana, típicos de campanha eleitoral, Dilma sustentou que está supervisionado e vistoriando obras. "Eu olho hidrelétrica e, além disso, participo de todos os atos de governo", afirmou, dando graças pela "época bendita" que vivemos, em que a tecnologia permite ações a distância. "Você acompanha tudo o que quiser em tempo real, então você passa a ser múltiplo, ao mesmo tempo em que está fazendo uma coisa, está fazendo outra", disse, justificando as agendas de campanha e de presidente. No mesmo discurso de usar a campanha eleitoral para mostrar o que o governo fez, Dilma aproveitou metade do tempo das respostas para falar de programas e obras, como o Pronatec, o crédito educativo, a transposição do rio São Francisco e a construção de hidrelétricas, entre outros. Em alguns momentos, chegou a questionar o conhecimento dos jornalistas sobre alguns programas e a explicar a construção de cisternas como se estivesse dando uma aula. "O Brasil não sabe que nós fazemos 1 milhão de cisternas, não sabe, por exemplo, que colocamos R$ 180 bilhões em crédito subsidiado para o agronegócio e a agricultura familiar", relatou, admitindo ter "interesse imenso" em falar do que fez como presidente durante a campanha eleitoral por ter "absoluta certeza" de que nem tudo é mostrado à população.

"FALTA FAZER MUITA COISA"

"Estranho seria se eu falasse 'não, não vou falar do que eu fiz', aí vocês iam olhar para mim com surpresa e questionar 'a troco de que não quer falar do que fez, tá escondendo o que?'", destacou. "Eu quero falar de tudo o que fiz e inclusive das coisas que ainda falta fazer, porque falta muita coisa", reconheceu, para, em seguida, voltar a cutucar os concorrentes, sustentando que só quem faz também sabe o que falta fazer. 

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