Dilma prestigia PMDB em convenção, dá ministério, e reativa o 'Conselhão'

Projeto da reeleição. Presidente decidiu comparecer à convenção nacional do partido no sábado e deve entregar o Ministério dos Transportes ao deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG); ao mesmo tempo, ela articula a recomposição com o setor empresarial

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2013 | 02h09

Com a campanha nas ruas, sob ataques da oposição e pressionada pela movimentação eleitoral do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a presidente Dilma Rousseff lançou uma ofensiva para cimentar a aliança com o PMDB para 2014. A fórmula combina gestos simbólicos e a promessa de mais presença na Esplanada para o partido. O primeiro passo será a presença de Dilma na convenção do PMDB, no próximo sábado.

Antes, na noite de quinta-feira, a presidente irá ao Palácio do Jaburu, a convite do vice-presidente Michel Temer, para participar de jantar em homenagem ao ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), no qual estarão presentes ministros, senadores, deputados e governadores da sigla.

Ministério para Minas. O objetivo do Planalto é sinalizar que o PMDB é o aliado preferencial para a sucessão de 2014. O partido recebeu ainda o aceno de que poderá vir a ser contemplado com o ministério "top", na visão de peemedebistas: o dos Transportes, que a presidente pretende entregar a Minas Gerais. Um dos cotados é o deputado Leonardo Quintão, que abriu mão de sua candidatura a prefeito de Belo Horizonte, para apoiar a aliança com o PT.

Ao mesmo tempo em que consolida a aliança com o PMDB, a presidente também arquiteta uma recomposição com o setor empresarial. Dilma vai se reunir com os pesos pesado do PIB nacional para se contrapor ao discurso tucano, que tem centrado suas críticas no desempenho da economia.

A presidente participará, hoje, no Planalto, da reunião que irá comemorar os dez anos de criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Este está sendo considerado mais um ato de campanha, já que o governo quer exaltar o "Conselhão" como mais um marco dos dez anos de governo petista e injetar ânimo nos empresários.

No encontro, onde estarão presentes empresários e representantes da sociedade civil, a presidente Dilma vai aproveitar para bombardear o discurso pessimista sobre a economia, embalado pelo PSDB nos últimos dias.

Sem resposta a FHC. Dilma não pretende responder diretamente ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a chamou de "ingrata" e disse que a presidente "cospe no prato que comeu". A ideia o é continuar fazendo balanços e mostrar resultados positivos alcançados pelo governo petista, para se contrapor aos ataques do PSDB.

Os tucanos têm criticado em seus discursos a alta da inflação e o baixo crescimento. A oposição não se cansa de alardear que o IPCA, um dos principais indicadores inflacionários, fechou em alta de 0,86%, maior índice nos últimos dez anos, e que a prévia do Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, divulgada semana passada pelo Banco Central, apontou para uma expansão de 1,64% da economia, bem menor do que a expectativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

O governo insiste em responder que medidas foram tomadas contra a crise e os resultados estão sendo aguardados. Este discurso será repetido hoje no Conselhão pela presidente, que pretende apresentar estatísticas e dados positivos, como a concessão de portos e aeroportos. Tais medidas, acredita, permitirão a ampliação dos investimentos da iniciativa privada em projetos estratégicos.

Base aliada. A movimentação de partidos da base aliada também está na mira de Dilma, para evitar defecções em 2013, prejudicando o projeto da reeleição. Por isso os afagos ao PMDB. A convenção de sábado consagrará e reiterará Michel Temer como presidente de honra do partido. Hoje Temer está licenciado do cargo de presidente, mas é a maior liderança do partido.

Durante a convenção também será escolhida a nova direção do PMDB. Ao prestigiar Temer, Dilma deixa claro que o quer na Vice também em 2014. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Dilma e arquiteto da sua reeleição, chegou a sugerir nos bastidores que a Vice fosse entregue ao PSB em 2014 para evitar que Eduardo Campos se lançasse candidato.

A especulação provocou ruídos na relação do PT com o PMDB. Agora, a ideia foi abandonada pelos petistas.

PSB. Dilma recebeu ontem, em seu gabinete, por duas horas, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), três dias após o irmão dele, Ciro Gomes, ter atacado todos os presidenciáveis (Eduardo Campos, Marina Silva e Aécio Neves). Ciro disse que o correligionário, que preside o PSB, não tem visão de Brasil e nem proposta para o País. O Planalto conta com os irmãos Gomes como cabos eleitorais de Dilma Rousseff (leia na A6).

Prosseguindo o afago aos aliados, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) foi recebido ontem pela ministra Ideli Salvatti, juntamente com as lideranças do partido. Queixou-se do "descaso" de alguns ministros.

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